Sabe aquele parente que odeia o horário de verão porque fica mais sonolento,
irritado e até tem tonturas? E o amigo que se sente bem mais disposto com uma hora a mais de luz para realizar atividades diárias? Pois as diferentes reações
não são resultado somente da boa vontade de cada um em lidar com as mudanças provocadas neste período, que se inicia à meia-noite deste sábado (0h
de domingo). Junto com o relógio de pulso, é preciso ajustar também o relógio biológico. E, dependendo do perfil, isso pode ser fácil,
difícil ou até impossível.
Esse nosso relógio interno pode funcionar de duas formas bem distintas: a matutina — aqueles que
acordam de manhã bem dispostos e dormem cedo — e a vespertina — os que têm dificuldade de acordar cedo e funcionam melhor quando o sol se põe. São os
que pulam cedo da cama que mais sofrem com o horário de verão.
— Nosso sono é regulado pelo hormônio melatonina, que começa a ser
liberado quando acaba a luz do dia. Como durante o horário de verão temos luz até mais tarde, os matutinos vão dormir também mais tarde e, por estarem
acostumados, acordam cedo. Ou seja, reduzem o tempo de sono — explica Fernando Stelzel, neurologista do Complexo Hospitalar Santa Casa.
Já os
vespertinos ganham uma hora a mais de luz durante o dia para aproveitar o período em que são mais produtivos. Com o pôr do sol mais tarde, muitos conseguem render mais
no horário de verão.
Essas características, ao contrário do que muitos pensam, não está na personalidade de cada um. Ela
é determinada por um conjunto de fatores, e entre eles está o genético: herdamos a tendência de acordar cedo ou tarde de nossos pais. Mas isso não quer
dizer que os matutinos estão condenados a sofrer durante os 126 dias de horário de verão.
Fernando Mazzilli Louzada, coordenador do
laboratório de Cronologia Humana da Universidade do Paraná, explica que o corpo tem uma plasticidade para se adaptar à mudança de horários. Somente em
casos extremos, onde a flexibilidade para absorver o novo horário é mínima, as consequências podem ser mais graves. Dificuldade de concentração, dor
de cabeça e até quadros de depressão podem estar associados, por exemplo, aos matutinos extremos.
Para grande parte da população,
entretanto, o organismo tende a sincronizar seus ritmos ao novo horário. Cada pessoa tem uma velocidade própria de ajuste.
— A
adaptação do relógio biológico dura em torno de uma a duas semanas. Neste período, é comum sentir cansaço. Ele tende, entretanto, a passar
aos poucos. E isso vale para matutinos e vespertinos — resume Stelzel.
Para evitar o desconforto e ajudar o corpo a se adaptar ao novo horário, uma das
recomendações é dormir pelo menos dez minutos mais cedo a cada dia, durante uma semana. O ajuste gradual ajuda o relógio biológico a se adaptar sem causar
reações no organismo.
Saiba mais sobre o horário de verão:
_ Começa às 0h deste domingo,
19 de outubro. Os relógios devem ser adiantados em 1h.
_ Neste ano, terá quatro dias a mais do que a média.
_ Ele
irá terminar no quarto domingo de fevereiro, e não no terceiro, como é habitual, para não coincidir com o Carnaval.
_ A média de
duração do horário de verão é de 122. Neste ano, serão 126 dias.
_ O governo federal espera redução de
4,5% no consumo de energia no horário de pico, das 18h às 21h.
_ Apesar de ser um período mais longo, a economia do país deve ser 30% menor do
que registrada no último ano: R$ 278 milhões
_ Em 2013/2014, a economia foi de R$ 405 milhões.
_ A culpa
dessa previsão, segundo o governo, é da falta de chuvas.
_ O horário especial termina na noite de sábado, 15 de Fevereiro de 2015, para
domingo,16. Relógios devem ser atrasados em uma hora a partir da meia noite.