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08/10/2020 | 09:47 | Polícia

Suspeito de matar grávida em SC tem prisão revogada; MPSC diz que ele foi enganado

Ministério Público afirma que denunciada aproveitava que marido trabalhava em outra cidade para manipular situação. Grávida foi morta em Canelinha e teve bebê retirada do ventre com um estilete, segundo denúncia

Ministério Público afirma que denunciada aproveitava que marido trabalhava em outra cidade para manipular situação. Grávida foi morta em Canelinha e teve bebê retirada do ventre com um estilete, segundo denúncia
Corpo de mulher grávida que estava desaparecida foi localizado em Canelinha ? Foto: Lucas Eccel/Rádio Clube fm 88.5
O homem preso em agosto suspeito de ser um dos responsáveis pela morte de uma jovem de 24 anos que estava grávida e de retirar o bebê da barriga da vítima teve a prisão revogada nesta quarta-feira (7). Ele é marido da mulher que simulava uma gravidez e que teria feito uma armadilha para a vítima, batido com um tijolo na cabeça dela e depois retirado o bebê da barriga da jovem com um corte de estilete em Canelinha, na Grande Florianópolis.
O assassinado ocorreu no dia 27 de agosto, segundo a polícia, e o casal foi preso no dia seguinte. Nesta quarta-feira, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu a revogação da prisão dele à Justiça por entender que o homem foi enganado pela mulher.
"As novas provas deixam claro que a mulher enganou o marido o tempo todo. Ela se aproveitava da circunstância de o marido trabalhar em outra cidade e assim conseguia manipular a situação. O marido acreditava piamente na falsa gravidez da mulher. Quanto ao dia do crime, a mulher também deu falsas informações ao marido", informou o MPSC.
As novas conclusões dos promotores de Justiça Mirela Dutra Alberton e Alexandre Carrinho Muniz ocorreram após analisarem áudios e trocas de mensagens de celulares apreendidos e periciados. A polícia também analisou as conversas.
Ainda segundo o MPSC, caso não surjam fatos novos ao processo, ele também deve ser excluído da denúncia apresentada pelo próprio MPSC e aceita pela Justiça em 4 de setembro contra ele e a mulher por feminicídio, tentativa de homicídio, parto suposto, subtração de incapaz e ocultação de cadáver.
O advogado Ivan Martins Junior, que defende o homem, disse ao G1 que "desde o início, buscamos agilizar a perícia nas conversas pelas midias digitais, eis que assim acreditávamos resolver não só a prisão, como provar a inocência". "Acreditamos que, diante das alegações do MP, o próximo passo será o pedido de absolvição, porque temos ciência de que eles também buscam por justiça", continuou.
O homem estava no Presídio Regional de Tijucas, na Grande Florianópolis, e a mulher continua no Presídio Regional de Chapecó, no Oeste catarinense.
Imagens e o nome da grávida morta não foram divulgados pelo G1 SC pois há risco que se chegue à identidade da recém-nascida, que tem o direito à preservação de sua identificação garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Relembre o caso
A recém-nascida foi internada no hospital na capital em 28 de agosto, mesmo dia em que o corpo da mãe foi encontrado em uma cerâmica desativada. A menina sofreu cortes de estilete e também nasceu antes do tempo, pois o parto estava previsto para setembro. Ela recebeu alta em 6 de setembro.
De acordo com a Polícia Civil, a jovem de 24 anos foi morta por uma conhecida que simulou que estava grávida, após sofrer um aborto no início do ano. A mulher acusada de homicídio pelo MPSC tinha a intenção de ficar com a recém-nascida.
Ela armou uma armadilha para a jovem no dia 27 de agosto, bateu com um tijolo na cabeça da vítima e cortou a barriga da grávida com um estilete para a retirada da bebê. O corte causou a morte da grávida, que teve hemorragia.
O corpo da mulher morta foi escondido dentro de um forno de cerâmica desativado e foi encontrado no dia seguinte por familiares e amigos que estavam procurando pela vítima. A mulher acusada chegou a compartilhar postagens em redes sociais sobre o desaparecimento da grávida.
No 5 de setembro, cerca de 200 pessoas estiveram na igreja Sant’Ana, no Centro de Canelinha, para a missa de sétimo dia. Os fiéis respeitaram o distanciamento e usaram máscaras, sendo retirada apenas para o canto e leitura de homenagens.
Tudo foi organizado pela família da vítima e pelas madrinhas da recém-nascida. Após a missa e leitura de poemas e homenagens à grávida, houve uma carreata pelas principais ruas da cidade pedindo Justiça.
Fonte: G1
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