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16/08/2020 | 08:02 | Polícia

Justiça decidirá no fim do mês sobre pedido de liberdade de réu por assassinato de jovem em Santa Cruz do Sul

Jair Menezes Rosa, 60 anos, está preso pela morte e estupro de Francine Rocha Ribeiro, em 12 de agosto de 2018

Jair Menezes Rosa, 60 anos, está preso pela morte e estupro de Francine Rocha Ribeiro, em 12 de agosto de 2018
Jovem saiu de casa, em Vera Cruz, para caminhar em ponto turístico do município vizinho e foi vítima de crime - Arquivo Pessoal / Reprodução
Em agosto de 2018, o desaparecimento de uma jovem enquanto caminhava em um ponto turístico de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, terminou em desfecho trágico. O corpo de Francine Rocha Ribeiro, 24 anos, foi encontrado em mato próximo da pista onde ela se exercitava sozinha no Lago Dourado. O crime brutal — a vítima foi espancada e estrangulada — inquietou e estarreceu a comunidade. Dois anos depois, o réu Jair Menezes Rosa, 60 anos, está mais perto de ser encaminhado a júri, mas a defesa tenta conseguir na Justiça que ele deixe a prisão.  
No fim de julho, o Tribunal de Justiça negou recurso da defesa de Jair e manteve a sentença da Justiça de Santa Cruz do Sul, que havia determinado que ele seja submetido a julgamento popular. Antes disso, a defesa havia pedido que o réu passasse por exames, para verificar se tinha capacidade mental de compreender os fatos na época do crime. O chamado incidente de insanidade mental, no entanto, acabou arquivado.
Agora, a defesa de Jair pretende recorrer novamente, desta vez, ao Superior Tribunal de Justiça — o pedido deve ser protocolado nesta segunda-feira (17). Paralelo a isso, um habeas corpus será julgado no dia 25 de agosto, às 14h, pela 2ª  Câmara Criminal. Nele, a defesa pede que o réu seja posto em liberdade provisória ou tenha concedida a prisão domiciliar. Jair continua preso de forma preventiva no Presídio Estadual de Candelária, também no Vale do Rio Pardo. A defesa alega no pedido que o réu possui idade compatível com grupo de risco para contaminação por coronavírus, doença cardíaca e diabetes crônica.
— Atualmente, o momento do sistema carcerário em todo Brasil está delicado, pela pandemia do coronavírus. Por isso, ingressamos com esse pedido, por entender que se ele se enquadra nesse grupo, e aguardamos julgamento. A defesa discorda da descrição fática na acusação e como o acusado teria supostamente feito tudo. A versão pessoal do acusado é de negativa de autoria — afirma o advogado Mateus Porto.
"É uma ferida que nunca vai cicatrizar", diz a mãe
Foi da casa da mãe, em Vera Cruz, município vizinho a Santa Cruz do Sul, que Francine saiu na tarde daquele domingo para ir ao Lago Dourado. Era um dia ensolarado e ela queria fazer uma caminhada. Quando a filha saiu de casa, a costureira Eronilda Machado estava sentada em frente à residência — era a última vez que veria a jovem com vida. Dois anos depois, a mãe conta que espera que a Justiça seja feita e que os dias ainda são difíceis.
— Só esperamos Justiça. Uma pessoa que fez o que ele fez não pode estar em liberdade. Cada dia que passa, a saudade aumenta mais. Só de pensar que um ser humano teve coragem de fazer tudo que fez. Só quem está passando por isso sabe a dor. É uma ferida que nunca vai cicatrizar. Dói muito — descreve.
Naquele domingo, Francine havia almoçado na casa do pai, ao lado da irmã gêmea Franciele — era Dia dos Pais. Na manhã seguinte, foi o pai que deparou com o corpo da filha em meio ao matagal, enquanto fazia buscas pela jovem.
— Nunca vou esquecer a forma como encontrei a minha filha. Isso nunca vai sair da minha cabeça — desabafa Runer Rocha Ribeiro, 53 anos.
Assistente de acusação no processo, o advogado criminalista Roberto Oliveira argumenta que os elementos que contribuíram para que a prisão preventiva do réu fosse decretada há dois anos continuam existindo. Entre elas, o fato de que o crime gerou comoção na comunidade e que estar em liberdade pode gerar risco para o próprio réu.
— É um crime emblemático, que causou comoção muito grande na sociedade. Foi uma situação realmente muito brutal. Desde antes de saberem o que tinha acontecido, o sumiço da filha causou angústia profunda dentro daquela família. Se ele for posto em liberdade, as pessoas ainda se lembram do que ele fez. Não é um sujeito que vai poder viver na normalidade. Como explicar para a população que ele está em liberdade, e não preso? O processo não vai de maneira nenhuma curar o que foi provocado naquelas pessoas, mas pode dar uma resposta institucional para essa família — afirma. 
Entenda
Jair Menezes Rosa foi preso em 23 de agosto de 2018, durante investigação da Polícia Civil de Santa Cruz do Sul. A perícia constatou que havia vestígios de material genético dele no corpo e nas roupas da vítima. Duas testemunhas ouvidas pela investigação relatam ter visto Jair, que residia nas proximidades de onde aconteceu o crime, saindo do matagal, apressado, em horário compatível com a morte de Francine. Para a investigação, ele atacou, estuprou e matou a jovem.
Em depoimento, Jair negou que tenha cometido o crime. Mas alegou que viu quando um homem interceptou Francine e que esse mesmo criminoso lhe obrigou a manter relações sexuais com a jovem (o que na versão dele justificaria o material genético dele localizado no corpo da vítima). A polícia indiciou Jair pelo homicídio qualificado (em contexto de feminicídio), estupro e furto (por conta de pertences da vítima, como celular e roupas, que desapareceram), crimes pelos quais também foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu.
A partir de um pedido da defesa de Jair, o réu chegou a ser submetido a perícia média no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) para verificar sua sanidade mental — segundo a defesa, o réu é interditado civilmente. No entanto, segundo o Tribunal de Justiça, o laudo afastou insanidade ou doença mental do réu quando aconteceu o crime. Com isso, o incidente foi arquivado e o processo voltou a tramitar normalmente.
Em janeiro deste ano, a Justiça de Santa Cruz do Sul determinou que o réu deveria ir a júri, a defesa recorreu ao Tribunal de Justiça. Mas em 29 de julho, houve decisão unânime para negar o recurso. A defesa agora pretende ingressar com pedido no STJ. Caso o recurso não seja concedido, o processo retorna para Santa Cruz do Sul para que seja agendada a data do júri.
Fonte: Gaúcha ZH
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