A Polícia Civil de Palmeira das Missões investiga se houve negligência médica na morte de uma menina de 8 meses ocorrido na última
quarta-feira, 1º de janeiro, em Dois Irmãos das Missões.
O drama dos pais, João Carlos e Maria, começou na última segunda-feira,
30 de dezembro de 2013, quando a pequena Eduarda, de apenas oito meses, começou a passar mal. Eles levaram a menina ao posto de saúde da cidade, mas teriam recebido a
notícia de que não havia médico no local. O atendimento só pôde ser feito no hospital do município de Erval Seco, a dezesseis quilômetros. O
pai da menina conta que Eduarda recebeu soro e depois mandada para casa.
Nesta quarta-feira, o bebê voltou a sentir os sintomas, como febre, vômito e
diarreia. No posto de saúde, a enfermeira disse que a menina estava bem. Foi só depois de insistir que a mãe conseguiu com que a criança fosse levada ao hospital
de Palmeira das Missões. O transporte foi feito em um veículo impróprio da secretaria da saúde. Mas, no meio do caminho, Eduarda morreu vítima de uma
parada cardiorrespiratória.
Os pais registraram o caso na polícia, que abriu um inquérito para investigar se houve negligência
médica no atendimento ao bebê.
A Polícia Civil aguarda o resultado da necropsia que ira apontar as causas da morte, segundo o Delegado Adriano
Linhares.
A direção do hospital de Erval Seco, onde Eduarda recebeu o primeiro atendimento, disse que a menina foi medicada e passou por uma
avaliação médica. Ela teria recebido alta só depois que deixou de manifestar os sintomas.
A família também questionou por
que uma ambulância não foi usada para levar a criança até o hospital de Palmeira das Missões. Segundo o secretário de saúde de Dois
Irmãos das Missões, Márcio Martins, não havia necessidade de usar o veículo. "Acredito eu que na avaliação da enfermagem não era
necessário ser com a ambulância, segundo os sinais que ela captou da criança, mas não sei se no período daqui até lá o quadro modificou e
aconteceu essa tragédia", comenta o secretário.
A prefeitura municipal decidiu afastar a enfermeira responsável pelo atendimento no
posto.
O fato revoltou os moradores, que reclamam do atendimento no posto de saúde. Segundo o comerciante Onésio Gomez Martins, o atendimento é
péssimo, não tem médico, o médico é só um, vem tarde demais, de sexta até segunda às 9h não tem médico, só tem
enfermeira de plantão e as vezes ela não tá.
"Tem que melhorar isso aí porquê o nenê não vai voltar mais. Se eles
fossem ter atendido melhor a menina podia ser que nós tava com a menina viva, hoje ela tá debaixo do chão", lamenta o pai da vítima.