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04/06/2020 | 08:35 | Polícia

Defensoria Pública da União vai defender acusado de liderar esquema que teria desviado R$12 bilhões de clientes da Unick

Presidente da empresa, Leidimar Lopes alegou não possuir recursos para pagar advogado

Presidente da empresa, Leidimar Lopes alegou não possuir recursos para pagar advogado
Veículos apreendidos durante a Operação Lamanai, em outubro de 2019. - Omar Freitas / Agencia RBS
Acusado de liderar um esquema que teria desviado R$ 12 bilhões de clientes da empresa de investimentos Unick Forex, Leidimar Lopes está sendo defendido pela Defensoria Pública da União (DPU). Ele tinha advogado constituído, mas ligou para a 7a Vara Federal de Porto Alegre, onde tramita o processo criminal, para informar que não tem condições financeiras para manter o contrato. Foi então que a juíza Karine da Silva Cordeiro nomeou um defensor público para o presidente da Unick.
Conforme as investigações da Polícia Federal, em menos de um ano, entre 2018 e 2019, Leidimar e outros integrantes do esquema gastaram cerca de R$ 40 milhões em imóveis. 
Procurado, o defensor público que passou a atuar no processo, Fabio Carboni Ceccon, explicou que o Código de Processo Penal não permite que o réu fique sem defensor.
— Mesmo que ele seja um réu com recursos financeiros para contratar um advogado, se ele não o fizer, o Código de Processo Penal determina que os autos sejam remetidos para a Defensoria para que exerça a defesa — esclarece Ceccon.
O defensor público conta que Leidimar alegou não ter recursos financeiros, mas admite que a DPU não tem essa confirmação. Também que não cabe à instituição descobrir se a afirmação é verdadeira. Observou, no entanto, que se ficar comprovado que ele possui condições financeiras para contratação de advogado, a DPU poderá pedir à Justiça que defina honorários para o Fundo de Reaparelhamento da instituição. Sobre o mérito da defesa, disse que não se manifesta.
Credores pedem devolução dos valores 
A Associação em Defesa dos Direitos dos Investidores da Unick repudiou o pedido de Leidimar para ser atendido pela DPU.
— Acontece que os indícios apontam para o fato de Leidimar possuir, sim, patrimônio para arcar com a defesa — sustenta o advogado da entidade, Demetrius Teixeira.
As vítimas da Unick Forex criaram a associação para buscar a condenação dos sócios da empresa. Ações individuais foram movidas na esfera cível por credores e já há decisões transitadas em julgado para que a Unick pague o que deve aos investidores. Mas não há prazo para que recebam esses valores, já que isso só ocorrerá em caso de condenação e quando o processo penal transitar em julgado.
GaúchaZH aguarda manifestação do Ministério Público Federal (MPF), que é o autor da ação penal resultante da Operação Lamanai da Polícia Federal, que investigou o caso.
Fonte: Gaúcha ZH
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