O advogado Maurício Dal Agnol, suspeito de ter lesado cerca de 30 mil pessoas que ganhavam ações judiciais no Rio Grande do Sul em um golpe
milionário, foi preso no início da noite desta segunda-feira (22) durante uma operação da Polícia Federal. A prisão ocorreu por volta das 19h na
Avenida Brasil, a principal via de Passo Fundo, no norte do estado.
Dal Agnol chegou a ter a prisão decretada na Operação Carmelina, da
Polícia Federal, deflagrada no dia 21 de fevereiro, e ficou foragido no exterior. No mês passado, ele se apresentou à Justiça de Passo Fundo, onde responde
processo por apropriação indébita e formação de quadrilha. Ele chegou a ficar foragido, mas obteve em maio um habeas corpus.
O
advogado responde a uma ação penal na 3ª Vara Criminal de Passo Fundo. Segundo investigações da Polícia Federal, ele fez acordos em nome dos clientes
e não repassou a eles os ganhos das causas. Ou, no máximo, indenizou-os com apenas 20% do devido (e não 80%, como acordado nos contratos).
A
maioria dos processos era contra a empresa de telefonia Brasil Telecom (BRT), movida por antigos acionistas da CRT, que exigiam reajuste nos valores pagos a eles pelas ações
da empresa – comprada pela BRT e que deu origem à atual Oi. A PF acredita que a quadrilha pode ter desviado até R$ 100 milhões.
Operação Carmelina
Segundo a Polícia Federal, um grupo de advogados e contadores, comandados por Dal Agnol, procurava os clientes
com a proposta de entrar com ações na Justiça contra empresas de telefonia fixa. Os clientes ganhavam a causa, mas os advogados repassavam a eles uma quantia muito
menor da que havia sido estipulada na ação. O esquema fez o advogado enriquecer rapidamente, diz a PF.
Ao cumprir mandados de busca na cidade do Norte do
Rio Grande do Sul, a Polícia Federal encontrou um total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do suspeito. Além da quantia, animais selvagens empalhados e
munição foram achados em um fundo falso de uma parede. A PF apreendeu também um avião avaliado em cerca de US$ 8,5 milhões e bloqueou dinheiro em contas
bancárias e imóveis.
A Operação Carmelina foi desencadeada em Passo Fundo e em Bento Gonçalves, na Serra. Foram cumpridos oito
mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia e de contabilidade e em uma residência. A operação foi batizada de Carmelina porque este era o
nome de uma mulher que teve cerca de R$ 100 mil desviados no golpe. Segundo a PF, ela morreu de câncer, e poderia ter custeado um tratamento eficaz com o dinheiro.