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26/05/2020 | 18:09 | Polícia

As evidências que aproximam a morte do menino Rafael do caso de Bernardo Boldrini

Ambas as crianças foram assassinadas por familiares, que tentaram dissimular desaparecimentos

Ambas as crianças foram assassinadas por familiares, que tentaram dissimular desaparecimentos
Divulgação
Não é apenas o rosto infantil de Rafael Mateus Winques, 11 anos, estampado em publicações e cartazes como criança desaparecida desde 15 de maio em Planalto, que traz à tona a lembrança da emblemática morte do menino Bernardo Uglione Boldrini, de Três Passos.
Mesmo antes de o corpo de Rafael ser encontrado a partir da confissão da mãe, a polícia já reunia elementos com base na semelhança entre os dois casos. A principal delas é a que também mais choca: a de um crime cometido no ambiente familiar.
As semelhantes começaram a ficar tão fortes que a delegada que investigou a morte de Bernardo, Caroline Bamberg, estava sendo chamada para apoiar o trabalho. Nesta terça-feira (26), ao falar de detalhes da investigação, o diretor do Departamento de Polícia do Interior, delegado Joeberth Pinto Nunes, disse não descartar que a morte de Bernardo possa ter servido de inspiração no caso Rafael.
Dois meninos com a mesma idade, cujos assassinatos foram encobertos com falso registro de desaparecimento por familiares — no caso de Bernardo, pelo pai, e no de Rafael, pela mãe — que acabariam se tornando alvo de suspeitas e de investigação, até acabarem presos. A confissão da mãe, na tarde da segunda-feira (25), revelou mais um elemento a ligar as duas histórias.
Alexandra Dougokenski alegou que a morte foi acidental, decorrente de excessiva dose de Diazepam, usado para atenuar crises de ansiedade. Bernardo recebeu doses de Midazolam, sedativo e indutor anestésico, ministradas, conforme apuração da polícia, pela madrasta, Graciele Ugulini, também sob alegação de que a criança precisava ser acalmada. Durante julgamento do crime, Graciele sustentou que a morte ocorrera "por acidente" em função do excesso de medicação.
Depois de receber a medicação, Bernardo foi jogado em uma cova. O corpo estava nu, enrolado em um saco de ráfia. Houve dúvida se já estaria morto quando o buraco foi fechado com terra. A partir da perícia, a polícia considerou que sim, já que não foram encontrados vestígios na traqueia que indicassem tentativa de respiração sob a terra.
Sobre Rafael, que já teve a causa da morte confirmada como asfixia mecânica, ainda não há certeza de uso do remédio. A perícia indicará se havia mesmo Diazepam no organismo. Conforme Nunes, a polícia ainda verifica se Rafael foi levado ao local onde estava o corpo já morto ou apenas dopado por medicamentos. A cabeça do menino estava enrolada em um saco.
O enredo dos supostos sumiços de Bernardo e de Rafael também é semelhante. O primeiro teria saído para dormir na casa de um amigo e não teria retornado. Rafael teria aberto a porta de casa durante a madrugada e saído sem explicação. Apesar de serem crimes cometidos no núcleo familiar, as duas histórias têm um tópico que as diferencia: a relação das crianças com parentes.
No caso de Bernardo, logo no começo da investigação, a polícia já teve elementos de que havia motivos para o pai, Leandro Boldrini, e a madrasta estarem envolvidos no sumiço e na morte do menino. Havia dezenas de relatos de maus-tratos e negligência em relação a Bernardo, que seria considerado um estorvo pelo casal. Já na história de Rafael, tudo que foi apurado levava a uma relação familiar sadia, sem violência ou outras dificuldades. Mãe e filho costumavam ser vistos sempre juntos pela cidade.
A peça chave para desmascarar a mãe, no entanto, também foi um elemento presente na apuração de Três Passos: a frieza. Pai e madrasta não demonstravam sofrimento com o sumiço de Bernardo. A mãe de Rafael, da mesma forma, "não esboçava emoção, não chorava, não se desesperava", contou a promotora Michele Taís Dumke Kufner.
O desafio da investigação agora é saber o que realmente existia por trás da aparente boa relação entre mãe e filho.
Fonte: Gaúcha ZH
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