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18/09/2014 | 11:19 | Polícia

Amiga de madrasta de Bernardo não registrou compra de pá, diz vendedor

Em audiência, sócio de ferragem disse que Edelvania comprou ferramentas

Em audiência, sócio de ferragem disse que Edelvania 

comprou ferramentas
Ariane de Souza Cogo foi ouvida em Frederico Westphalen (Foto: Caetanno Freitas/G1)
O sócio da ferragem onde Edelvânia Wirganovicz e uma outra mulher compraram uma pá e uma cavadeira foi ouvido na manhã desta quinta-feira (18) em Frederico Westphalen, na Região Norte do Rio Grande do Sul, em audiência de instrução do processo que investiga a morte do menino Bernardo Boldrini. Hermes José Vendrusculo Scapin disse que a mulher não quis registro da venda. Segundo as investigações, as ferramentas foram utilizadas para enterrar o garoto.
“Ela [Edelvânia] não quis o registro de venda. Não sei quem era a outra pessoa, mas quem comprou foi a Edelvânia. Ela só pediu uma pá e uma cavadeira. Essa outra pessoa não entrou, não falou nada, ficou na porta”, afirmou a testemunha ao juiz Jairo Cardoso Soares. A venda, segundo Hermes, ocorreu entre o dia 1º e 4 de abril.
O corpo de Bernardo foi localizado no dia 14 de abril ano enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde ele morava com a família. O menino estava desaparecido desde 4 de abril.
A primeira a falar na audiência foi Ariane de Souza Cogo, ex-funcionária da farmárcia São João, localizada no Centro da cidade. Foi ela quem vendeu o medicamento Midazolam a Edelvânia  e Graciele, madrasta do garoto. Segundo as investigações, o remédio foi utilizado na morte da criança.
O depoimento à Justiça confirmou a versão apresentada à Polícia Civil. A testemunha disse ao juiz Jairo Cardoso Soares que Edelvania tinha todos os dados necessários e a receita para comprar o medicamento. “Eu era caixa, não fazia vendas. Mas era horário de pico e a loja estava muito cheia. Os primeiros clientes que se dirigiram a mim foram a Edelvania e a outra mulher”, relatou.
"Eu não conhecia o medicamento, mas vi no sistema que era controlado. Vi que ela tinha todos os dados necessários. Ela comprou e foi embora. Como eu sabia que era Edelvania, não conferi fotos e outros dados do documento dela. Depois que os fatos foram à mídia eu reconheci que era a Graciele que estava com ela”, contou.
Ao todo, oito pessoas serão ouvidas pelo juiz Jairo Cardoso Soares. Edelvânia e o irmão, Evandro Wirganovicz, estão presentes na audiência.
 
Além dos irmãos e de Graciele, também é acusados pela morte o pai do menino, Leandro Boldrini. Os quatro acusados respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver e estão presos preventivamente.
O que as testemunhas disseram à polícia
Ao menos quatro das oito testemunhas de acusação que prestam depoimento nesta quinta deram esclarecimentos importantes quando falaram à Polícia Civil durante as investigações do caso. O G1 teve acesso aos depoimentos das testemunhas no inquérito policial.
Ariane de Souza Bugo disse à polícia em 9 de maio que tem certeza de que foi Edelvânia quem comprou o remédido Midazolam com  receituário azul. Conforme o relato de Ariane, Edelvânia estava acompanhada de Graciele Ugulini, a madrasta do menino. Ela ainda acrescentou que a venda do remédio "é comum", "ocorre com frequência", mas "sempre com a retenção da receita e controle especial".
Hermes José Vendrusculo Scapin, sócio de uma ferragem na cidade, foi o responsável pela venda de uma pá e de uma cavadeira à Edelvânia. As ferramentas usadas para enterrar o menino foram achadas pela polícia na casa da mãe de Edelvânia. Em 22 de abril, Hermes declarou à polícia que vendeu as ferramentas para ela e para uma outra mulher que a acompanhava, a quem descreveu como "mais baixa, cabelo preto e não aparentava ser gorda". Depois de olhar fotos de Graciele Ugulini no sistema da polícia, descartou que fosse a madrasta de Bernardo. Hermes relatou também que perguntou à Edelvânia se ela "iria virar agricultura" e que ela respondeu que "iria levar (as ferramentas) para a mãe".
A mulher de Evandro, Luciane Saldanha, contou à polícia, em 3 de junho, detalhes sobre o relacionamento com o marido e o dia em que ele foi pescar próximo ao local onde Bernardo foi encontrado, na quarta-feira, dois dias antes da data que o menino foi morto, segundo a polícia. Luciane disse que não lembra se Evandro voltou sem peixes ou sujo de barro. Relatou, no entanto, que ele mudou de comportamento e ficou nervoso quando sua irmã, Edelvânia, foi presa. "Fiquei desconfiada porque foi bem na semana que o Evandro tinha ido pescar (o crime)", relatou. Ela disse que questionou o marido sobre o fato e que ele "não falou nada", "só chorou".
Volnei Souza, outra testemunha, disse à policia no dia 23 de abril que não conhecia pessoalmente Edelvânia, mas que falava com outros três irmãos dela, Luciano, Dinho e Airton. Volnei é proprietário de algumas terras próximas ao Rio do Mico, localidade onde o corpo de Bernardo foi encontrado, e declarou que viu o carro de Edelvânia, um Fiat Siena cinza, estacionado perto da porteira de sua propriedade. Ele disse que reconheceu o modelo do veículo por notícias divulgadas nos meios de comunicação e que logo suspeitou do envolvimento da acusada.
Já Valdecir Johann declarou, em 17 de abril, que foi buscar madeiras em sua propriedade no dia 2 de abril junto com um funcionário, na localidade de Linha São Dimas. Disse que subiu em um barranco e avistou um Chevette amarelo escuro e que acreditou que o veículo fosse de Evandro Wirganovicz. À polícia, afirmou que desconfiou da presença do carro no local e avisou a Brigada Militar. Com a placa, confirmaram que o proprietário era Evandro.
Valdecir também relatou que, depois de ver os noticiários sobre o crime, pensou que Evandro poderia ter "cavado o buraco", pois a terra "tinha muitas raízes" e "a pessoa que fez o buraco precisou de bastante força". Também registrou que viu Edelvânia acompanhada de uma menina "de uns cinco anos de idade" quatro dias depois de ver o carro do irmão dela no mesmo local. "Ela ficou toda sem jeito e disse que as duas tinham ido molhar os pés no rio", afirmou.
Por sua vez, Hermes Bossoni Quatrin, empresário, falou à polícia no dia 15 de abril. Ele afirmou que Edelvânia fez um financiamento para adquirir um apartamento com sua empresa, que estava construindo um conjunto habitacional popular, onde cada imóvel custava R$ 90 mil. Conforme o relato de Hermes, Edelvânia pagou R$ 4 mil em fevereiro e mais R$ 6 mil em abril, totalizando os R$ 10 mil de entrada para o imóvel. Segundo a polícia, essa última parcela teria sido financiada por Graciele em troca da participação dela no crime.
Fonte: G1
Em audiência, sócio de ferragem disse que Edelvania 

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Foto: Caetanno Freitas/G1
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