Duas ex-babás do menino Bernardo Boldrini foram ouvidas na tarde desta segunda-feira (8) na condição de testemunhas de acusação no
Fórum de Três Passos, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. A primeira delas a depor, Elaine Wentz, relatou um ambiente familiar agressivo da família do
menino, que, segundo ela, era alvo de ofensas diárias.
"Com a madrasta, o relacionamento era tranquilo no início. Depois, ela começou a
contrariá-lo. Quando eles começaram a se xingar, as ofensas eram diárias", disse Elaine, que trabalhou na residência dos Boldrini entre 2010, logo
após a morte da mãe de Bernardo, Odilaine Uglione. "Comigo ele nunca teve esse comportamento, mas com eles (o casal) era assim. Eles provocavam, diziam coisas para ele
ficar nervoso, a ponto de explodir", acrescentou.
O corpo do menino de 11 anos foi achado no dia 14 de abril enterrado em um matagal na área rural de
Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde ele residia com a família. O menino estava desaparecido desde 4 de abril. Além do pai, o
médico Leandro Boldrini, são acusados pela morte a madrasta, Graciele Ugulini, a amiga dela Edelvania Wirganovicz e o irmão, Evandro Wirganovicz. Eles estão
presos e respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
A ex-babá Elaine chorou ao relembrar a
relação com o menino, que, de acordo com ela, chegou a pedir prara chamá-la de "mãe". "Ele era como um filho para mim, era muito querido",
afirmou ao se emocionar.
Elaine também afirmou que Bernardo o relacionamento entre pai e filho era frio, e o menino demonstrava "sentir medo" do pai
e da madrasta. "Às vezes, quando o Leandro queria dar um abraço, ele se afastava. E o mesmo acontecia quando Bernardo queria um abraço", declarou. "O
Bernardo parecia que às vezes tinha medo deles. Se agarrava na gente com força. Ele falava que gostava muito do pai, mas quando eu estava na casa deles estava sempre agarrado
em mim. Mas eu nunca perguntava o motivo desse medo que ele tinha", completou.
A testemunha lembrou ainda que às vezes o pai levava o menino para o quarto
após as brigas. "Se ele batia eu não sei, mas ele saia sem a cinta, e a Kelly dizia 'bem feito'", lembrou.
Outra ex-babá de
Bernardo, Lori Heller foi ouvida logo depois. Ela disse que trabalhou na casa da família quando a mãe do menino, Odilaine Uglione, ainda estava viva. Sobre a época, a
mulher diz nunca faltava nada para o garoto.
"Antes da Odilaine falecer eu já sai da casa deles. Eles eram atenciosos, nunca faltava nada para o Bernardo. Na
época, o Leandro era um pai atencioso", declarou Lori.