Diferente do primeiro dia de
audiência do caso Bernardo, em agosto, poucas pessoas se manifestaram em frente ao Fórum de Três Passos, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, na manhã
desta segunda-feira (8), quando ocorre o segunda dia de oitivas. Única acusada presente, a ré Edelvania Wirganovic chegou ao local às 9h20 escoltada por agentes da
Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Segundo seu advogado, em seu próximo depoimento à polícia, a mulher deverá apresentar
uma outra versão da morte da criança, em abril deste ano.
O corpo do menino de 11 anos foi achado no dia 14 de abril enterrado em um matagal na
área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde ele residia com a família. O menino estava desaparecido desde 4 de abril.
Além de Edelvania, são acusados pela morte o pai do menino, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e Evandro Wirganovicz. Eles estão presos e respondem pelos
crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
Nesta segunda, mais sete testemunhas de acusação devem
ser ouvidas pelo juiz Marcos Luís Agostini sobre a morte de Bernardo. Vão depor à Justiça o casal Carlos e Juçara Petry, que tinha uma
relação afetiva muito forte com o menino, a professora dele, Simone Muller, a ex-babá, Elaine Marisa Wentz - que relatou uma tentativa de asfixia da madrasta -, e a
ex-secretária de Leandro, Andressa Wagner. Outras duas pessoas completam a relação.
Os advogados de Leandro Boldrini, pai do menino, chegaram sem
falar com a imprensa. Eles afirmaram que só vão se manifestar nos autos do processo. Já o advogado de acusação, Marlon Taborda, que representa a
avó de Bernardo, disse que vai pedir a reabertura do inquérito da morte de Odilaine, mãe da criança, que se suicidou, segundo a polícia. Vídeos
divulgados nas últimas semanas mostram o pai de Bernardo falando ao filho sobre a morte da ex-esposa.
Hélio Sauer, advogado de Evandro, também
conversou com a imprensa e informou que pediu à Justiça a soltura de seu cliente. "Não tem absolutamente nenhum envolvimento no crime. Não há
elementos para manter ele preso", salientou Sauer.
Já o advogado Demetryus Grapiglia, de Edelvânia, apontou que um novo depoimento da mulher
irá apresentar outra versão da morte de Bernardo. Conforme ele, o menino morreu por acidente em uma superdosagem de medicação.
Um pequeno
grupo com cerca de seis pessoas segurou cartazes e pediu por justiça na entrada do Fórum. Apesar da audiência ser do caso Bernardo, os manifestantes pediam
explicações sobre a morte da universitária Bibiana Canova Zart, de 36 anos, assassinada em dezembro de 2013, em Horizontina.
Aos jornalistas,
serão permitidas gravações e fotos nos primeiros 15 minutos da audiência do caso Bernardo. O conteúdo, no entanto, não poderá conter
áudio por determinação do magistrado. Depois do tempo estipulado, a imprensa poderá acompanhar os depoimentos, mas não será permitido qualquer tipo
de registro.