O Ministério Público de Santa Catarina quer penas de 200 anos
de prisão para cada um dos principais suspeitos de adulteração de leite no Oeste catarinense. Ao todo, 36 pessoas ligadas ao Laticínios Lajeado, de Lajeado
Grande, e 12 do Laticínios Mondaí Ltda, de Mondaí, foram denunciadas nesta quinta-feira.
Parte das pessoas foi presa na operação
Leite Adulterado, no dia 19 de agosto, pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Elas eram suspeitas de fraudar leite adicionando
químicos.
– Vamos buscar a pena máxima pois eles adulteraram o leite, que é um alimento essencial para a vida – afirmou o
promotor de Justiça e coordenador do Gaeco da região Oeste, Fabiano Baldissarelli.
O promotor da comarca de Xaxim, Cyro Guerreiro Júnior,
disse que o sócio-proprietário de uma das empresas, por exemplo, será enquadrado 25 vezes no crime de adulteração, que tem pena de 4 a 8 anos. Somente
esse crime, pelas penas mínimas, somaria 100 anos de prisão.
– Constatamos esse número por imagens registradas, perícias e
escuta telefônica – afirmou o promotor.
A defesa vai alegar a tese de que seja um crime só, o que pode diminuir as penas para em torno de 15
anos para cada um.
Os 48 denunciados vão responder por organização criminosa e os demais crimes vão variar para cada um deles.
Além da adulteração, o MP denunciou suspeitos por falsidade ideológica, omissão ou inclusão de dados falsos sobre a qualidade do
leite.
Foram 19 adulterações comprovadas em Lajeado Grande e 13 em Mondaí. Dos 22 presos, 15 seguem detidos e quatro devem ter a prisão
decretada de novo.
Advogados aguardam processo e buscam liberar restante dos presos
Os advogados das empresas
envolvidas nas Operações Leite Adulterado I, a Laticínios Lajeado Grande, e Leite Adulterado II, a Laticínios Mondaí, informaram que ainda não
podem se manifestar sobre as denúncias do Ministério Público, pois não foram comunicados das acusações.
–
Após tomar conhecimento vamos nos manifestar – disse o advogado da Laticínios Lajeado Grande, Gilberto Batistello.
– Ainda não
temos como comentar a ação – afirmou o defensor da Laticínios Mondaí, Irio Grolli.
No entanto, ao ser informado de que o
Ministério Público pretende pedir penas de cem a 200 anos para os proprietários das empresas, Grolli comentou:
– O Ministério
Público está exagerando.
Os dois defensores trabalham no momento para tentar a liberdade das 15 pessoas ainda presas, sendo 11
sócios e funcionários da Laticínios Lajeado Grande e cinco ligadas ao Laticínios Mondaí.
Eles entraram com
pedidos de liberdade provisória. Desde o início da operação em 19 de agosto, duas pessoas de Lajeado Grande e cinco de Mondaí foram soltas.
– São pessoas com endereços fixo, mãe de família que estão presos – explicou Batistello.
Entenda o caso
No final de 2010 o Ministério da Agricultura (Mapa) detectou fraude em leite cru no
Rio Grande do Sul. Posteriormente foi realizado um termo de cooperação técnica com fiscais do Ministério da Agricultura de Santa Catarina e o Ministério
Público de Santa Catarina.
Em maio de 2013 o Mapa recebeu denúncia de adulteração de leite cru da Laticínios
Mondaí e recolheu amostras, que estavam dentro do padrão. Em novembro de 2013, houve denúncia de que a Laticínios Lajeado Grande estaria recebendo leite
fraudado.
Em 2014 foram recolhidas amostras que apontaram a presença de químicos neutralizantes de acidez e até
álcool etílico.
Em março de 2014 o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que conta
com representantes do Ministério Público, Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal e Secretaria da Fazenda, começou uma investigação.
Foram obtidas imagens de funcionários dos laticínios adicionando produtos químicos.
No início de agosto a
Vigilância Santitária determinou o recolhimento do Lote 59 da marca Lajeado Grande, devido a constatação de formol.
No
dia 19 de agosto o Gaeco, com o apoio do Ministério Público do Rio Grande do Sul e fiscais do Mapa, desencadeou as operações Leite Adulterado I e II, em Lajeado
Grande e Mondaí, além de filiais em Ponte Serrada e Vista Alegre-RS. Cerca de 80 pessoas participaram das operações. Inicialmente foram presas 20 pessoas e,
posteriomente, mais duas.
Elas eram suspeitas de fraudar leite adicionando químicos, o que representa risco para a saúde dos
consumidores. As empresas continuam funcionando mas em Regime Especial de Fiscalização.
:: Veja as imagens capturadas
durante a investigação: