A
torcedora do Grêmio flagrada ao gritar "macaco" para o goleiro Aranha, do Santos, no jogo pela Copa do Brasil, na quinta-feira (28) está arrependida e pretende se
retratar. Quem garante é o advogado de Patrícia Moreira, Guilherme Rodrigues Abrão, que se reuniu pela primeira vez com sua cliente na manhã desta segunda-feira
(1). A jovem de 22 anos não quis falar com a imprensa na chegada ao escritório.
Patrícia chegou ao local junto com uma amiga e irmão
por volta das 8h45. Bastante nervosa e assustada, não quis falar ao G1 sobre o episódio e pediu que não fossem tiradas fotos. Ela vestia um casaco preto, quase
até o pé, e óculos escuros. De acordo com o advogado, a garota recebeu ameaças ao longo do fim de semana, inclusive de estupro, e teve todos os seus dados
expostos na internet. A família também não foi poupada. Uma prima de 14 anos não pode ir à escola. Após o incidente, sua mãe passou
mal.
"Ela me relatou que sofreu ameaças, que vizinhos apedrejaram a casa e está preocupada com a própria segurança. Qualquer medida vai
ser tomada após a apresentação dela na delegacia e prestar depoimento. Depois ela vai estudar o que vai fazer sobre isso. Ela recebeu ameaças na internet e foi
xingada em programas da imprensa", disse o advogado ao G1 após reunião.
Segundo Abrão, a cliente não é racista. "É
uma menina nova. Foi flagrada, cometeu uma infelicidade, quer se desculpar. Infelizmente, no futebol, a gente sabe que às vezes prevalece mais a paixão que a razão e
ela escolheu um julgamento errado", acrescentou.
Abrão ainda não teve acesso ao inquérito, apenas obteve uma procuração da
jovem para atuar como seu representante. Segundo o advogado, Patrícia é sócia do clube desde 2013 e não tem qualquer vinculação com a Geral,
torcida gremista. "A ideia dela é se retratar, inclusive com um pedido de desculpas para o goleiro. Ela vem sofrendo as consequências de um erro que ela admite. Que no
calor do jogo, em um momento de pressão do jogo, ela acabou utilizando um xingamento que ela sabe que é infeliz", disse.
Patrícia e sua
família tiveram de deixar a casa onde vivem na capital gaúcha após ameaças. De acordo com o proprietário de um bar vizinho ao local onde Patrícia
mora, a residência da torcedora foi apedrejada na noite de sexta-feira (29).
"A família dela e ela tinham grande preocupação com as
notícias que saíam. Houve uma notícia que dizia que ela era foragida. Eles estavam muito apavorados e já queriam comunicar a polícia que ela vai se
apresentar, que vai prestar depoimento", esclareceu o advogado.
Sobre uma possível exclusão do quadro de sócios do clube, o advogado afirmou que
ainda é preciso estudar o regimento para analisar os desdobramentos. Abrão também é conselheiro do Grêmio.
"Eu tenho minha
atividade profissional. Eu sou advogado e estou conselheiro do Grêmio. Eu não represento ela no Grêmio, mas no inquérito policial e num eventual futuro processo
penal, que não tem nenhuma vinculação com o Grêmio, não tem nenhum impedimento que não pudesse advogar para ela", afirmou.
A Polícia Civil pretende ouvir até o final desta semana a jovem. Segundo o delegado Herbert Ferreira, responsável pelas investigações, ela ainda
não foi intimada a depor. Além de Patrícia, outro torcedor, que não teve o nome divulgado, também foi identificado. Eles podem ser indiciados por
injúria qualificada.
Inicialmente, a polícia cogitava ouvir Patrícia ainda nesta segunda, porém a intimação para
interrogatório ainda não foi oficializada. Segundo o delegado, a tendência é que nesta segunda o comunicado aconteça. Mesmo assim, ela pode se apresentar
espontaneamente.
No domingo (31), os policiais receberam um vídeo de mais de uma hora de duração com imagens de câmeras de segurança
da Arena do Grêmio, que mostram os possíveis atos relatados pelo jogador. As imagens já começaram a ser analisadas pelo delegado.
"Além do vídeo, temos também fotos. Vamos ver se amanhã [terça] já conseguimos intimá-la. No máximo até o final dessa
semana. O outro torcedor que já identificamos também. Tem mais gente para ser identificada. No depoimento do Aranha, ele foi bem claro ao dizer que várias pessoas o
xingaram. Vamos analisar as imagens para saber quem são", disse Ferreira.
Patrícia Moreira foi afastada do trabalho no Centro Médico e
Odontológico da Brigada Militar. Ela era funcionária de uma empresa terceirizada e prestava serviços de auxiliar de odontologia na clínica da polícia
militar gaúcha. As imagens da torcedora ofendendo o goleiro santista começaram a circular pelas redes sociais logo após a partida.