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23/11/2019 | 07:23 | Polícia

Justiça aceita denúncia contra quatro ex-executivos da Cotrijuí por desvio de R$ 2,5 milhões

Ministério Público denunciou dirigentes por verder grãos deixados em armazéns por agricultores. Defesa diz que 'fundamentos não procedem' e alega inocência no caso

Ministério Público denunciou dirigentes por verder grãos deixados em armazéns por agricultores. Defesa diz que 'fundamentos não procedem' e alega inocência no caso
Cooperativa Agropecuária e Industrial com sede em Ijuí tem 13 unidades de negócios em 42 municípios ? Cotrijuí / Divulgação
A Justiça aceitou na quinta-feira (21) a denúncia do Ministério Público (MP-RS) contra quatro ex-executivos da Cooperativa Agropecuária e Industrial de Íjui (Cotrijuí), no Noroeste do estado. Eles foram denunciados por apropriação indébita e causar um prejuízo de mais de R$ 2,5 milhões aos cooperados.
Os denunciados são os ex-presidentes Vanderlei Fragoso e Eugênio Frizzo, o ex-diretor superintendente Gilmar Fragoso e o analista executivo Renilton Krupp Prauchner. Segundo o MP, eles teriam se beneficiado dos cargos e vendido grãos deixados por agricultores em armazém de regime geral.
Gilmar Fragoso, que atua como porta-voz dos demais, afirma que ainda não teve conhecimento do teor da denúncia. "Vamos aguardar a citação oficial. O que podemos dizer preliminarmente pelo que ouvimos pela imprensa é que os fundamentos não procedem. No fim, vão julgar pela improcedência", disse, ao G1, por telefone.
De acordo com o juiz Eduardo Giovelli, da 1ª Vara Criminal de Ijuí, os fatos são de "elevada gravidade". Segundo o magistrado, além do processo, foi pedido o bloqueio das contas e de imóveis dos acusados para possível ressarcimento aos prejudicados.
"As medidas (...) mostram-se necessárias, já que poderão inclusive possibilitar eventual reparação dos danos às vítimas, garantir eventual perda de valores equivalentes ao proveito dos crimes e, ainda, garantir o pagamento de penas de multa no caso de procedência da respectiva ação penal, motivo pelo qual entendo como pertinente o deferimento das medidas assecuratórias", diz na decisão.
Entenda o caso
Conforme o MP, desde 2013 a Cotrijuí passou a atuar em regime de armazém geral, sugerindo que os cooperados depositassem o conteúdo das colheitas na cooperativa. Porém, fariam negociações sem autorização.
Em janeiro de 2018, a investigação começou de modo sigiloso, com o cumprimento de vários mandados de busca e apreensão na cooperativa e nas residências dos acusados. No mesmo ano, eles deixaram os cargos.
Para Fragoso, o motivo é que os dirigentes não se sentiam em condições de permanecer na diretoria até o esclarecimento dos fatos. Ao mesmo tempo, defende que, quando a diretoria assumiu, em 2013, a cooperativa já estava sem crédito.
Segundo ele, o balanço daquele ano havia apontado um endividamento de R$ 687 milhões. No entanto, em análise interna, teriam encontrado um rombo próximo a R$ 1 bilhão.
Uma auditoria externa teria sido contratada e, segundo Fragoso, foi constatada uma dívida de R$ 1,2 bilhão, sem contar as dívidas dos processos judiciais.
"Não foi a gestão do Vanderlei Fragoso ou do Eugênio Frizzo que causou a dívida. Mas alguns agentes do MP entenderam de maneira diferente", diz Gilmar Fragoso. "Não cometemos nenhum ato ilícito. [Temos a] Consciência muito tranquila, embora a indignação com a denúncia seja grande. Denunciamos as fraudes de balanço ocorridas antes e nenhuma medida foi tomada. Infelizmente, em relação a nós, que não cometemos nenhum desvio, acontece isso", acrescenta.
Atualmente, a Cotrijuí acumula dívidas de mais de R$ 2 bilhões e, no fim do mês passado, a Justiça decidiu pela liquidação da cooperativa.
Fonte: G1
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