Um fato inusitado chamou atenção do Batalhão Ambiental da
Brigada Militar de Santa Maria e da professora Elisabete Dockhorn, que dá aulas de apicultura no Colégio Politécnico de Santa Maria: as colmeias de uma
criação de abelhas estavam completamente azuis.
O apicultor, que não quis ser identificado, conta que, há cerca de dois anos, o
material começou a ficar azulado. Com o tempo, as colmeias ficaram bastante azuis. Depois de ver a notícia de que perto de sua criação havia um local de descarte
irregular de resíduos de piscinas, o apicultor desconfiou e chamou Elisabete. A professora ficou espantada com o fato após ir até o local na manhã desta quinta-
feira:
_ É impressionante, realmente inusitado. Na minha vida profissional, vi várias coisas, mas uma coisa dessas ainda não tinha visto _
explica Elisabeth.
O material foi levado até o Batalhão Ambiental, que registrou ocorrência e deve encaminhar as amostras para a Polícia
Civil. Além disso, um relatório será entregue ao Ministério Público, que deve investigar o fato na esfera cível.
_ O
material vai para a Polícia Civil, que vai investigar se há relação com o material daquele descarte e que deve investigar se há crime de
poluição também _ explica o major Luiz Antônio Floresta, comandante do Batalhão Ambiental.
A explicação para o que
aconteceu é que, como o material tem um cheio forte e adocicado, teria atraído as abelhas, que têm olfato até 500 vezes mais aguçado que do ser humano. Em
árvores, também havia material azul, o que mostra que não só os insetos da criação, mas que as abelhas do mato também procurariam pelo
material. Ao invés de buscar resina, que chamamos de própolis, as abelhas poderiam ter ido até onde estavam as fibras.
_ Aparentemente, as abelhas
estavam trabalhando normalmente. Seria necessário um estudo maior para ver se houve algum tipo de dano. Mas a cera está contaminada e nenhum material poderia ser aproveitado _
complementa Elisabete.
Para continuar com a criação, seria necessário mudar toda a infraestrutura do local, o que causaria um prejuízo
de pelo menos R$3,5 mil ao apicultor, além de danos ao meio ambiente.