Em audiências individuais no Ministério Público nesta sexta-feira, a Cooperativa
Agropecuária Petrópolis (Piá), de Nova Petrópolis, e a Santa Clara, de Carlos Barbosa, garantiram que não há álcool no leite in natura ou no
produto final das empresas, vendido aos consumidores e apresentaram documentos com testes que comprovariam a qualidade.
Mas, ao final das reuniões, o
promotor de Defesa do Consumidor, Alcindo Bastos, que coordena as investigações, defendeu que há fraude, numa variação daquelas que a
Operação Leite Compen$ado apurou, com o mesmo objetivo: aumentar o lucro. Mais do que isso, Bastos deu indícios de onde estariam sendo feitas as
adulterações:
— Se houve falha, foi no caminho entre o produtor e o transportador. Acredito que as empresas, se erraram, pois ambas são
idôneas, foi no controle de qualidade — afirmou o promotor.
Primeira cooperativa a se reunir com o promotor, após quase duas horas de conversa, a
Piá falou com a imprensa.
– Queremos tranquilizar os nossos consumidores que eles não ingeriram produto adulterado e que podem continuar comprando
a marca Piá – afirmou Gilberto Kny, presidente da Cooperativa.
Ele também destacou que a empresa faz mais de 100 mil exames mensais em todas as
etapas do leite e que os lotes em que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) detectou álcool haviam sido submetidos a testes que deram negativo
para a presença da substância.
– Confiamos 100% que não houve presença de álcool – acrescentou
Santa
Clara questiona metodologia do Ministério
A cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, questionou ao Ministério da Agricultura qual a metodologia foi
utilizada nos testes que teriam detectado álcool etílico. Alexandre Guerra, diretor administrativo da empresa, explicou que mais de 6 mil exames são feitos por dia na
empresa e que cada lote de leite passa por três análises antes de chegar na indústria.
– Nos surpreendeu muito esta divulgação
do Ministério porque temos laboratórios bem equipados e que não detectaram álcool – afirmou.
As cooperativas devem voltar a se
reunir com a Promotoria de Justiça Especializada em Defesa do Consumidor em 20 dias.