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29/12/2018 | 08:45 | Geral

Fim de subsídio eleva incerteza sobre preço do diesel

Petrobras adota mecanismo para manter valor do combustível inalterado nas refinarias, por até sete dias, em períodos de forte oscilação do dólar ou da cotação do petróleo

Petrobras adota mecanismo para manter valor do combustível inalterado nas refinarias, por até sete dias, em períodos de forte oscilação do dólar ou da cotação do petróleo
Preço do diesel é desafio para futuro governo de Jair Bolsonaro - Isadora Neumann / Agencia RBS
Responsável por aditivar a greve dos caminheiros em maio, o preço do óleo diesel volta ao centro de discussões. No próxima segunda-feira (31), encerra-se o prazo do programa de subsídios federais ao combustível, adotado pelo Palácio do Planalto para baixar o valor nas bombas e encerrar a paralisação dos motoristas. Com isso, crescem as incertezas relacionadas ao nível do preço em 2019. Até o momento, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) não confirmou qual será a postura do futuro governo sobre o tema. 
Nesta sexta-feira (28), a Petrobras aprovou o uso de mecanismo financeiro que permitirá manter o valor do diesel inalterado nas refinarias por até sete dias, em períodos de forte oscilação do dólar ou da cotação do petróleo. Ao anunciar a medida, a estatal declarou que "entende ser importante conciliar seus interesses empresariais com as demandas de seus clientes e agentes de mercado em geral". Em setembro, a Petrobras havia adotado medida semelhante para conter a flutuação no preço da gasolina.
Até novembro, o governo de Michel Temer usou cerca de R$ 4 bilhões do orçamento de 2018 para custear os subsídios ao diesel, apontam dados do Tesouro Nacional. A previsão inicial era de que o programa pudesse consumir R$ 9,5 bilhões até dezembro – a quantia não deve ser atingida em razão da baixa na cotação do petróleo no mercado internacional. 
Além disso, a redução de tributos (Cide e PIS/Cofins) sobre o diesel, outra iniciativa autorizada pelo Planalto para baixar o preço nas bombas após a greve, chegou a R$ 2,8 bilhões até o mês passado. Ou seja, o custo dos subsídios e da renúncia fiscal chegou a cerca de R$ 6,8 bilhões.
– Essas medidas foram tomadas no calor da greve. O governo adotou uma solução para curto prazo, foi um band-aid. A questão do preço do diesel será um desafio para a próxima gestão, já que a atual não deixou nada endereçado – analisa Fernanda Delegado, pesquisadora da FGV Energia.
Sindicalista descarta greve no momento
Presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado (Fecam-RS), André Costa avalia que a ação confirmada pela estatal na sexta-feira é bem-vinda, porque tende a garantir maior previsibilidade à categoria. Apesar disso, projeta que o fim dos subsídios deverá ter impacto no preço do diesel e, consequentemente, elevar o valor dos fretes no início do próximo ano. Questionado se a situação poderia servir de combustível para nova greve, Costa menciona que "qualquer ação extremada prejudicaria toda a população" no momento de troca de governo.
– Por pior que seja a situação, a melhor opção é sentar e conversar. Nova greve não resolveria problemas no longo prazo – observa Costa.
Em outubro, sem dar detalhes de quais medidas poderia adotar, Bolsonaro sinalizou que buscaria preços mais baixos para os combustíveis e que "ninguém quer majorar" os valores. Em relação ao assunto, o programa de governo do presidente eleito afirma que os produtos apresentam "forte influência" de tributos estaduais, o que "precisará ser rediscutido" para "não sobrecarregar" os consumidores.
– Para haver condições de fazer o corte de impostos sobre os combustíveis, é necessário enxugar a máquina pública e diminuir despesas. Mas ainda não há uma grande discussão sobre isso na mesa do futuro governo. O mais importante é debater a questão tributária – avalia Fernanda.
Após negociar com os caminhoneiros o programa de subsídios, em maio, o governo Temer projetou que o litro do diesel cairia R$ 0,46 nas bombas. Depois de entidades do setor de combustíveis questionarem o cálculo, o Planalto declarou que, para a confirmação do desconto total, os Estados também precisariam reduzir o ICMS. No Rio Grande do Sul, a Secretaria da Fazenda descartou à época fazer o corte, sob o argumento de que a alíquota gaúcha já estava entre as mais baixas do país.
Desde a greve dos caminhoneiros, o desconto no diesel chegou no máximo a R$ 0,42 no Estado, apontam dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). No início da paralisação, em 21 de maio, o preço médio do litro do combustível era de R$ 3,721 no Rio Grande do Sul. De lá para cá, o menor valor registrado foi de R$ 3,293, em agosto.
Fonte: Gaúcha ZH
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