Nos oito primeiros
dias de novembro, pelos menos 13 ataques a banco foram registrados no Estado, a maioria em municípios com menos de 20 mil habitantes. Balanço da Rádio Gaúcha
mostra que, dos 145 ataques neste ano, 94 foram nesses municípios – o que representa 66% do total.
Na madrugada de ontem, os três
municípios alvos de quadrilhas não chegam a ter 9 mil moradores cada: Joia, Casca e Mato Castelhano. À tarde, duas agências bancárias de Coronel Pilar, de
1,7 mil habitantes, foram atacadas.
No primeiro ataque, em Joia, com pouco mais de 8 mil habitantes, ao menos oito homens teriam cometido o crime, após
chegarem na cidade em três carros. A Polícia Civil afirma que a quadrilha disparou para cima com fuzis 556 para amedrontar moradores durante a ofensiva. Ainda assim, dois PMs
que trabalham no município trocaram tiros com o bando.
O delegado Tiago Baldin afirma que os bandidos desistiram da ação sem levar nada.
Apesar da reação dos policiais, a hipótese mais provável é de que os explosivos tenham falhado. Por volta das 7h, um Corolla foi encontrado incendiado na
área rural da cidade.
Em Casca, ataque simultâneo a agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal aconteceu cerca de uma hora
depois. Houve confronto com os policiais, mas os criminosos conseguiram fugir. Nenhum PM ficou ferido. Como houve ataque a uma agência da Caixa, a Polícia Federal
assumirá as investigações.
O prefeito de Casca, Domingos Claudio Kujawa (PT), relata que os crimes ocorreram na principal avenida da cidade, em
frente ao prédio da prefeitura. Segundo ele, o lugar é de muita movimentação durante o dia.
— Ainda bem que foi durante a
noite. Se fosse durante o dia, o risco seria muito grande. É no centro da cidade, tem todas as farmácias, as duas agências encostadas, a prefeitura. Ainda assim,
foi um susto, um baque para quem mora no entorno — diz Kujawa.
Em Mato Castelhano, de 2,4 mil habitantes e a 20 quilômetros de Passo Fundo, criminosos
arrombaram um posto bancário do Banrisul. De acordo com a Brigada Militar, o crime ocorreu por volta das 4h. Os bandidos usaram explosivos, que falharam.
Já à luz do dia, houve ataques no Banrisul e no Sicredi de Coronel Pilar, na Serra. Ladrões chegaram em dois carros às 14h50min. Segundo o relato de uma
moradora, eram de quatro a cinco bandidos com armas longas. Eles fizeram cordão humano e levaram um refém, que foi libertado na fuga. Um dos carros – um Palio
– foi incendiado pelo bando.
Buscas
O cerco da Brigada Militar em Coronel Pilar entrou noite adentro porque as
pistas indicavam que os criminosos ainda estavam nos arredores. Um dos carros utilizados no ataque, um Meriva, foi roubado em Cachoeirinha, indicativo de que os bandidos são da
Região Metropolitana. Para evitar esses ataques, a Brigada Militar usa um estudo de probabilidades, que mapeia horários e locais mais vulneráveis.
— Deslocamos nossas patrulhas especiais para estes pontos. Utilizamos helicópteros para mostrar que a Brigada está presente e inibir a ação. Temos
feito tudo o que é possível e sabemos que já evitamos muitos ataques no interior — esclarece o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Eduardo Biacchi
Rodrigues.
O que diz a SSP
Em nota, o secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer, disse que os bancos
descumprem a lei estadual que obriga maior investimento em segurança por parte das agências. A Lei Estadual 15.105/2018 prevê a instalação de dispositivos
nas unidades bancárias. De acordo com o documento, como a regra não é cumprida, as forças de segurança têm “dificuldades na
redução de indicadores deste crime no Estado, ao contrário do que ocorre em relação a homicídios, latrocínios e outros
delitos”.