As defesas dos seis condenados pela
Justiça de Ibirubá, no Norte do Rio Grande do Sul, pela fraude do leite, desvendada na Operação Leite Compensado, informaram que recorrerão da
decisão. Já o promotor que coordenou a investigação do Ministério Público, Mauro Rockenbach, considera as penas um aviso de que a impunidade
acabou.
"Colocaram substâncias cancerígenas no leite que a população consome. Eu sempre disse que considero mais grave que os crimes
hediondos. Considero mais grave até mesmo que o tráfico de drogas", disse Rockenbach.
Os seis condenados agiam em Ibirubá e Selbach, e
estavam presos preventivamente deste maio. Daniel Villanova, técnico da cooperativa de leite, foi condenado a 11 anos de prisão. O transportador João Cristiano Max deve
ficar 18 anos em regime fechado.
Outros três acusados seguem presos preventivamente, dois em Três de Maio e um em Horizontina. O empresário Leandro
Vincenzi, que cumpria prisão preventiva em Guaporé, responderá ao processo em liberdade. Outras 19 pessoas acusadas de envolvimento na fraude aguardam uma
decisão da Justiça.
A sentença foi proferida pelo juiz Ralph Moraes Langanke. O magistrado ressaltou que "o crime cometido pelos réus
é um delito desumano, repugnante, abjeto e nojento, que causa uma enorme aversão, podendo-se dizer, inclusive, que se trata de um crime mais grave do que o de tráfico
de drogas".
Entenda
A Operação Leite Compensado foi desencadeada em maio deste ano pelo Ministério
Público para coibir uma fraude no leite cru, realizada por um grupo de transportadores do interior do estado. A adulteração ocorria no meio do caminho entre a
propriedade rural e a indústria. A ação teve como consequências a retirada de lotes do mercado e a interdição de três postos de resfriamento e
de uma fábrica em Estrela.
Nas duas fases da operação do MP, 14 pessoas foram presas nas cidades de Ibirubá,Guaporé, Horizontina,
Rondinha, Boa Vista do Buricá e Três de Maio. Alguns investigados aceitaram a oferta de deleção premiada e foram liberados, mas outros permanecem detidos. No
total, 20 pessoas já foram denunciadas criminalmente por suspeita de participação no esquema.