A mãe de um
menino com uma doença rara resolveu escrever as experiências vividas nos 71 dias que ficou no hospital com a criança. Há cinco anos, a publicitária Laura
Patrón, hoje com 29 anos, descobriu que o filho João Vicente tinha a Síndrome Hemolítica Urêmica atípica (SHUa), condição que provoca
falhas no sistema imunológico.
Em meio a uma crise da doença, o menino, que na época tinha um ano e oito meses, teve um AVC isquêmico
que deixou sequelas motoras. “Em um domingo ele estava no parquinho brincando, e na segunda foi para o hospital e não saiu mais. Ele ficou 50 dias só na UTI”,
conta Laura.
No livro "71 Leões", a autora fala sobre os dois meses e meio que ficou no hospital e de todos os sentimentos complexos que sentiu. Em
formato de diário, a obra intercala cartas da mãe para o filho, relatos autobiográficos e a sequência dos acontecimentos, dia após dia.
“O livro é a história que eu nunca contei. Foi uma experiência muito intensa. Eu ficava muito sozinha, comecei a registrar o que eu sentia. Eu estava com tanto
medo de perder o João, que naquele momento registrar era guardar as memórias, já que eu não sabia quantas memórias eu ainda ia ter dele. Eu queria guardar
qualquer pedacinho que eu estava sentindo”, conta Laura.
O livro reúne mais do que relatos da experiência com a maternidade, conforme a autora. A
obra fala "sobre dor e amor" e tenta desromantizar a mãe que sofre.
“Eu quero que seja uma história real. E que as pessoas
se identifiquem justamente pela proximidade com ela. Eu sofri pra caramba. Mas não quero transformar isso em uma luta ou em algo bonito. Me orgulho da nossa felicidade, daquilo que
fizemos a partir da dor, não daquilo que doeu”, explica.
O título do livro faz referência à contagem de
tempo criada por Laura. "Fiquei fora do ar e me desconectei de tudo. Eu me perdi, não sabia mais que dia da semana era, a data do mês, perdi a noção. Para
não me perder totalmente, eu comecei a contar os dias em leões. Na época tinha um pouco do clichê 'estamos matando um leão por dia'. Depois comecei
a entender que os leões chegavam para nos dar força", explica.
No ano passado, Laura organizou uma campanha para arrecadar recursos
e pagar o tratamento de saúde do filho. Após diversos tipos de terapia, hoje com 6 anos de idade, João já senta sozinho, desenha e voltou a movimentar as
mãos.
"Ele está super bem, nível de evolução super potente. Ele está começando a ficar
milésimos de segundo de pé. Vivemos um dia de cada vez", conta a mãe.
A pré-venda do livro já está
disponível e vai até dia 21 de outubro.