A Polícia Civil combate nesta sexta-feira (28) fraude contra o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (IPE). As
suspeitas da Operação Analysis são de que um laboratório da Região Carbonífera teria, durante anos, inserido no sistema informações
sobre exames falsos, a fim de receber os pagamentos do IPE.
Os lançamentos seriam feitos em duplicidade – depois de o usuário fazer e pagar os
exames, o laboratório faria novas cobranças – ou até por exames nunca solicitados ou realizados. Também são investigadas situações de
uso do nome de pessoas mortas para a cobrança de exames.
A investigação apura se a fraude ocorria desde 2011. O prejuízo seria em torno
de R$ 500 mil.
Uma testemunha declarou que o valor mensal dos falsos lançamentos era de R$ 10 mil em apenas uma filial do laboratório suspeito. A
Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública e Ordem Tributária está cumprindo cinco mandados de busca e
apreensão em Porto Alegre, São Jerônimo, Charqueadas, Minas do Leão e Butiá.
Em São Jerônimo, fica a sede do
laboratório que está sob investigação. A polícia não divulgou nomes de suspeitos e do laboratório. Mas GaúchaZH apurou que em um dos
endereços onde são feitas buscas funciona o Laboratório Barth.
As informações, registradas em depoimentos, são de que a
proprietária e duas funcionárias da empresa inseriam dados falsos para cobrar do IPE exames em duplicidade ou que nunca foram realizados. Uma das estratégias seria se
apropriar de senhas dos pacientes para uso posterior.
As recepcionistas seriam orientadas a dizer para as pessoas que o fio da máquina onde deveria ser
registrada a senha estava muito curto e, então, anotavam o código que autoriza o serviço. Conforme o IPE, as senhas são numéricas, mas já
está sendo estudada a mudança para sistema biométrico.
Uma testemunha afirmou que a sócia justificava o fato de declarar exames falsos como
uma forma de "compensar" valores que seriam devidos pelo IPE ao laboratório. Outra pessoa que prestou depoimento confirmou que pegava requisições de exames
antigos, já cadastrados e pagos, e reinseria no sistema com data atual para ser cobrado novamente.
A polícia também apurou que funcionários
estranhavam a diferença entre o número de pacientes atendidos e a quantidade de exames lançados, além do fato de que muitos procedimentos eram registrados e
cobrados, mas nunca tinham resultado anotado. Isso indicaria que não foram realizados de fato.
Os crimes investigados são de peculato,
inserção de dados falsos em sistemas de informação e associação criminosa. A investigação é conduzida pelos delegados
André Lobo Anicet e Max Otto Ritter. Conforme a polícia, o objetivo da ação é localizar e apreender documentos, agendas, cartões de
beneficiários ou de pensionistas do IPE, computadores, requisições de exames, entre outros dados que possam contribuir para a apuração.