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11/07/2014 | 12:40 | Polícia

Menina de 8 anos foi torturada durante quatro meses por três pessoas em Joinville

Exame constatou 16 marcas de agressões no corpo da vítima. Caso ocorreu há quatro anos na região Leste de Joinville

Exame constatou 16 marcas de agressões no corpo da vítima. Caso ocorreu há quatro anos na 

região Leste de Joinville
Lourival não assumiu a autoria das agressões (Foto: Polícia Civil de SC / Divulgação)
Depois de quatro anos, o trio que torturou e espancou uma menina de oito anos em Joinville começará a pagar pelo crime. Lourival Bremen, 48 anos, chamado pela vítima de "vô Nino", foi preso nesta terça-feira e terá de cumprir pena de três anos e três meses. Assim como ele, a tia Jaqueline da Silva, 25 anos, que tinha a guarda da menina, também foi presa e condenada pelo mesmo tempo. O marido dela, Nelson José Inocêncio Corrêa, 33 anos, já estava atrás das grades desde o ano passado. A pena dele foi de dois anos e nove meses.
De acordo com o inquérito apresentado pela delegada da Mulher, Marilisa Boehm, a menina sofria agressões desde janeiro de 2010, quando ela foi trazida pelos tios de Bom Progresso, no Rio Grande do Sul. Mas o crime só foi descoberto em abril, no dia em que a vítima foi levada para o Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria com 16 hematomas e equimoses (roxos) espalhados pelo corpo e pela cabeça.
A menina foi trazida para Joinville porque a avó que a criava em Bom Progresso, no Rio Grande do Sul, não tinha mais condições financeiras de permanecer com a neta. Os pais biológicos, que seriam alcoólatras, perderam a guarda da criança também são suspeitos de agredir a menina. Antes de morar com a avó, a vítima chegou a viver com outro casal de tios no Rio Grande do Sul.
Em Joinville, a vítima sofreu maus tratos desde o primeiro mês chegou. Em depoimento, ela contou que apanhava todos os dias com uma colher de pau dos pais adotivos. No entanto, a situação piorou depois que o "vô Nino", que não tem nenhuma relação de parentesco com o casal, passou a morar a com a família. A menina revelou que "vô Nino" esquentava agulhas no fogo e picava os dedos dela embaixo das unhas das mãos, nas orelhas e embaixo do pé. A vítima falou que era segurada pelo tio e que Jaqueline presenciava tudo sem fazer nada.
— A Jaqueline cometeu o crime de omissão, porque ela viu tudo o que estava acontecendo e não fez nada para impedir, sendo que ela poderia ter evitado os maus tratos — destaca Marilisa.
Durante a apuração do inquérito, Bremen se justificou afirmando que era possuído por um espírito chamado caboclo e que essa era forma de que ele encontrava para castigar a menina que, segundo ele, não era obediente, não sabia fazer continhas de matemática e fazia "orelhas de burro" no caderno da escola.
Segundo a delegada, a vítima recebia uma pensão do Governo porque havia perdido um dos rins aos dois anos de idade. O irmão da menina, que na época tinha 11 anos, também presenciou as cenas de agressão. Em depoimento, ele contou fazia cerca de três semanas que havia vindo morar a com a nova família e que não apanhava porque era obediente.
Vítima contou que já foi molestada
Além de ser torturada e espancada pelos pais adotivos de Joinville, a menina afirmou, em depoimento, que foi estuprada por outro tio em Bom Progresso (RS). Apesar de os exames não comprovaram o fato, a delegada não descarta a hipótese de que a menina tenha sido violentada de outras maneiras.
- Como o caso não ocorreu em Joinville, nós enviamos os resultados dos exames para Bom Progresso, pois o crime deve ser investigado lá. Como não houve penetração, não há como prova o estupro, mas não isso não significa que a vítima não tenha sido molestada - diz Marilisa.
Fonte: Zero Hora
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