Ventos fortes registrados nesta sexta-feira (24) de cerca de 80 km/h, além da chuva que ocorre desde
as primeiras horas do dia, provocaram estragos em municípios do Vale do Taquari e das proximidades. Casas foram destelhadas, um portão de ferro arrancado, arroios
transbordaram e famílias ficaram desalojadas após as intempéries do tempo. Na quinta-feira (23), o governo do Rio Grande do Sul emitiu um alerta meteorológico
para os gaúchos, informando sobre um possível temporal — o que foi confirmado horas depois, na maioria das regiões do estado.
Em Arroio do
Meio, a localidade atingida é a de Arroio Grande. Moradores informaram as ocorrências à Defesa Civil local. Parte da comunidade está sem abastecimento de energia
elétrica, desde a manhã desta sexta-feira. O coordenador do setor e secretário municipal de Obras, Paulo Heck, relata o cenário no local. “Encontramos uma
árvore caída sobre os fios de luz, o que provocou bastante estrago na rede de alta e média tensão, também causando a queda de um poste em que havia um
transformador”.
A RGE Sul Energia foi chamada para atender a ocorrência. A previsão da empresa é que o serviço seja restabelecido
ainda hoje. Heck acredita que “há muitos cabos rompidos, deve ter uns 15 ou 20, porque é uma rede de distribuição que passa de uma localidade para
outra”.
Além das árvores caídas, que impedem a passagem de veículos na Estrada Geral Dona Rita, a VRS 482, uma casa nas
proximidades teve prejuízos financeiros, com a queda do portão de acesso ao pátio.
Marinês Zeni Halmenschlager, 54 anos,
proprietária da residência, conta o que aconteceu. “Veio esse vento, um tufão. Foi de vez, e o portão voou no chão. Ficamos assustados, porque
alguém poderia estar entrando na garagem”. Vizinhos da mulher sofreram destelhamentos. “Soube que casas destelharam com a passagem desse vento”, comenta ela.
No caso de Paulo Frohlich, 58 anos, também de Arroio Alegre, o que mais preocupa é o retorno da energia elétrica, necessária para o seu trabalho.
“Espero que venha logo, por causa do leite. É complicado, porque as vacas não estão mais acostumadas com a mão, só com máquina”, fala.
Diversos galhos foram lançados no seu pátio, com a passagem do temporal. “Eu gastei um tanque de combustível na motosserra para cortar árvores no
chão e os animais não se machucarem”, revela Frohlich.
Na região
De acordo com o tenente-coronel André Ricardo
Pereira Silvério, coordenador regional da Defesa Civil, que atende a 62 municípios, mais situações ocorreram em Guaporé, com alagamentos, e Itapuca, com
falta de energia elétrica.
O Arroio Barracão, que atravessa Guaporé, transbordou no trevo de acesso ao município, afetando diversos bairros
— tanto na zona urbana quanto rural. Segundo a Secretaria de Obras do município, todas as localidades foram prejudicadas.
Três residências
foram atingidas pelas águas, sendo que as famílias em situação de desalojamento estão com amigos ou parentes. A Defesa Civil de Guaporé ainda
trabalha no levantamento de prejuízos, sendo que a elaboração de um decreto de Situação de Emergência não é descartada.
A coordenação regional estima que a média de precipitação tenha sido de 35 milímetros em cada município atendido. Lajeado
não teve chamados por conta do temporal. Na maior parte do estado, as instabilidades fortes já passaram. Agora, a instabilidade se encontra na Região Norte, onde
há risco de rajadas fortes e granizo. A previsão é que se desloquem para Santa Catarina.