Depois que a família procura a Apae para uma
avaliação e é acolhida pelos profissionais do Serviço Social da instituição, a criança inicia, então, a avaliação
interdisciplinar pela equipe apaeana. O segundo profissional pelo qual a criança passa é o psicólogo.
Hoje, a Apae de Três de Maio conta com
três profissionais da área da Psicologia: Nelsi Eichelberger, Suami Teixeira e Ana Karina Machado. Além do acolhimento às famílias, elas fazem a entrevista
inicial. “Precisamos escutar para conhecer a história clínica pregressa desse novo aluno que chega a uma avaliação. Não temos um padrão de
entrevista, já que cada uma de nós tem sua forma de trabalhar. Se o aluno que chega aqui é bebê, conseguimos fazer a avaliação com uma
sessão, geralmente”, revela Nelsi.
Ana complementa afirmando que, caso a criança necessite da testagem cognitiva, a avaliação
demora um pouco mais, em torno de quatro sessões. “Depende da capacidade da criança. E é depois disso que fazemos o parecer.” Ela explica que a maioria das
avaliações feitas com crianças em idade escolar diz respeito a dificuldades de aprendizagem. “Possuíamos aqui na Apae vários testes e instrumentos
muito bons que nos ajudam a perceber se a criança tem a deficiência intelectual, já que só fica na escola a criança com a deficiência ou
autismo.”
Segundo Suami, somente após a avaliação é que elas preparam um parecer, e, posteriormente, é emitido o parecer
interdisciplinar que conclui se a criança passa a ser aluno ou não. “Cada profissional define o acompanhamento. Aqui conosco é, na maioria das vezes,
semanal.”
Papel das psicólogas vai além da escola
Os atendimentos das psicólogas da Apae
vão além dos alunos. As famílias também recebem atenção especial. “Na maioria das vezes é necessário acompanhar toda a
família, a fim de fazer um trabalho íntegro. E mesmo que a criança não permaneça como nosso aluno, orientamos, quando necessário, para que busquem
atendimento psicológico fora daqui”, diz Suami.
Nelsi comenta que há muitos casos que retornam para uma segunda avaliação.
“Ocorrem situações de crianças e adolescentes que retornaram para nova avaliação, com dificuldades avançadas, pelo fato de que não
seguiram nossa recomendação anterior de buscar um atendimento psicológico.”
“Nosso trabalho é em conjunto com a
família. A maioria delas aceita bem. Uma família que se envolve e dá valor à escola faz a diferença. Nós sentimos isso”, avalia Nelsi. A
equipe também faz visitas domiciliares.
Troca de informações com escolas
A psicóloga Suami
conta que há alguns alunos que têm atendimento na Apae e frequentam também a escola regular. “Nosso trabalho está vinculado à escola. Faz parte do
nosso atendimento entrar em contato com eles, conversar com o professor, visitar a casa dessa criança. Percebemos muita coisa nestas visitas, o que nos norteia de saber como
trabalhar com ela aqui na Apae”, acrescenta.
Apae local se destaca com a inclusão de alunos no mercado de trabalho
A psicóloga
Suami, juntamente com o assistente social Leandro Steiger, também atua nas questões de inclusão de alunos portadores de deficiência no mercado de
trabalho.
Ela explica que a autonomia é trabalhada, com os alunos, desde que são pequenos. “Tentamos ajudá-los e ensinar isso. Ao
longo do tempo que eles estão aqui, os professores vão observando condições e habilidades de cada um. E quando estão com idade entre 15 e 16 anos,
é trabalhando ainda mais, já que a partir daí podem ingressar no mercado de trabalho. Então, precisamos prepará-los para este momento”, revela
Suami.
A instituição analisa com empresas locais e da região as vagas para pessoas com deficiência e então as direciona aos alunos
interessados e com habilidade para cada área. “Trabalhamos com aluno, família e empresa. A empresa que receberá nosso aluno precisa saber acolhê-lo.
São inúmeros encontros e reuniões com a empresa sobre a atividade que melhor se encaixa para este aluno”, revela.
Conforme Suami, a ansiedade
dos alunos para trabalhar é muito grande. “É um novo mundo. E temos grandes experiências, o que é motivo de muito orgulho para a Apae. Não só
os alunos empregados, mas também as famílias, são beneficiadas. Melhora a autoestima e uma série de outras questões. Cada um com suas
limitações, conquistando seu espaço.” A equipe de psicólogas também continua realizando o atendimento aos alunos empregados, quando eles têm
disponibilidade.
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Três de Maio, mantenedora da Escola de Educação Especial
Helen Keller e do Centro de Atendimento Educacional Especializado Helen Keller, atende atualmente 209 alunos nas áreas de educação, saúde e assistência
social.