Atualmente, no Rio Grande do Sul, 324 municípios têm delegacias de polícia. Mas, nem
todas funcionam diariamente. Segundo a Polícia Civil, das 484 delegacias do estado, 78 tem apenas um servidor. Os critérios usados para definir o número de agentes
levam em conta o número de habitantes da cidade, o nível de criminalidade e os tipos de ocorrências que acontecem no local.
"A maioria
dessas delegacias foram criadas antes de a gente trabalhar dessa maneira mais técnica, então, se nós fizéssemos o estudo de criação dessas
delegacias hoje, elas não existiriam. Mas, de forma alguma a ideia é fechar essas delegacias. Vale dizer que, embora estes 78 órgãos contêm somente um
policial lotado, eles tem um delegado que responde", explica a diretora da Divisão de Planejamento e Coordenação da Polícia Civil, Andrea Mattos.
Pelo menos três vezes por semana, quem procura atendimento na única delegacia do município de Machadinho, no Norte do Rio Grande do Sul, encontra o local
fechado.
"Eu venho na delegacia, se tiver aberta eu registro, senão, eu volto para casa de novo", afirma o agricultor Nadir Zulpo.
Machadinho tem quase seis mil habitantes e fica a 80 quilômetros de Erechim. O funcionário que trabalhava na delegacia se aposentou no mês passado. Para o local
não ficar sem atendimento, servidores dos municípios de Paim Filho e de Maximiliano de Almeida se deslocam para a cidade e acumulam a função. Para dar andamento
às investigações, muitas vezes, a delegacia fica fechada.
"A maioria do pessoal que precisa e que depende da delegacia fica se perguntando
para onde é que vai? Vai ter que sair do município? Procurar a polícia?", questiona o empresário Carlos Baldissera.
A Polícia
Civil afirmou que sempre que há necessidade, o número de agentes é reforçado. O órgão acrescentou que, no ano que vem, um concurso que está
em andamento vai nomear 1,2 mil inspetores e escrivães.