Uma mulher de 37 anos é investigada pela Polícia Civil
do Rio Grande do Sul por utilizar os dados pessoais de uma policial civil para contratar serviços de TV por assinatura. O caso ocorreu na cidade de Portão, a cerca de 46 km de
Porto Alegre.
A investigação iniciou em maio, depois que a escrivã solicitou a segunda via de uma conta de sua TV por assinatura. A agente foi
informada pela empresa de que havia outra conta em seu nome, em um endereço diferente.
"Eu estranhei, é claro. Cancelei o serviço com a
operadora e fui investigar como isso poderia ter acontecido", conta a policial, que prefere não ser identificada, ao G1.
A agente descobriu que havia sido
alvo de um golpe. A mulher que contratou o serviço usando os dados da policial havia sido presa por furto de uma farmácia, em janeiro deste ano. O boletim de ocorrência
do fato foi registrado pela própria escrivã.
"Quando a gente faz uma ocorrência, vai os dados do policial como comunicante dos fatos. Ela teve
acesso a uma cópia desse documento", explica a policial.
Com o nome completo da escrivã em mãos, ela conseguiu descobrir dados como CPF, RG e
nomes do pai e da mãe. "Isso mostra também uma falha das operadoras de comunicação em firmar esses contratos", pontua.
Como se
não bastasse uma fraude, a agente descobriu uma segunda. A mesma mulher contratou o serviço de TV a cabo de outra operadora um mês depois. O fato foi denunciado pelo
proprietário da casa onde a investigada morava.
"Ele me apresentou o boleto com o meu nome e eu percebi que era aquela mesma mulher dando outro
golpe", indigna-se a escrivão. "Acho que ela foi muito corajosa, em fazer duas vezes. E ainda usar os dados de uma policial".
Os casos viraram dois
inquéritos. Segundo o responsável pelas investigações, delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, foi cumprido um mandado de busca e apreensão na
casa da suspeita. Na residência foram apreendidos objetos relacionados a estes delitos, como receptores de TV a cabo, controle e antenas, além de várias
anotações sobre os dados da policial civil.
"Certamente a indiciaremos por estelionato e falsidade ideológica. São dois
inquéritos distintos, mas já se materializou os dois delitos", sustentou o delegado.
A escrivã diz que espera justiça. "Ela
deve responder em liberdade, já que não houve flagrante, mas vai responder. Eu não quero nada mais que seja feita justiça".