Pivô de um dos crime de maior
repercussão no país em 2014, o médico Leandro Boldrini, preso desde abril na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) pelo assassinato do
filho Bernardo, de 11 anos, foi convocado para uma audiência programada para esta quinta-feira (3) em Três Passos, município do Noroeste do Rio Grande do Sul onde a
família residia. A sessão, porém, não tratará do homicídio, mas de um processo civil movido pela avó do garoto, Jussara Uglione.
De acordo com a defesa de Jussara, desde 2010, quando o menino ainda estava vivo, ela move ação contra Boldrini em busca de ressarcimento por bens aos quais o
médico supostamente teria se apropriado. O processo começou a tramitar após a morte da mãe de Bernardo, que, segundo a Polícia Civil, cometeu
sucídio quase quatro anos antes da morte do garoto.
"Será uma audiência de instrução. A avó afirma ter deixado joias e
fotografias na casa do médico quando ela planejava morar em Três Passos. Ela acabou desistindo da ideia após a morte da filha e nunca mais recebeu de volta o
material", disse ao G1 o advogado de Jussara, Marlo Taborda. Segundo ele, ainda não há um levantamento preciso sobre o valor total que a avó reivindica. A
reportagem tentou contato com a defesa de Boldrini, mas não obteve retorno.
O corpo de Bernardo foi localizado no dia 14 de abril enterrado em um matagal na
área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 km de Três Passos, onde ele residia com a família. O menino estava desaparecido desde 4 de abril. Além do
médico, a madrasta Graciele Ugulini, a amiga dela, Edelvania Wirganovicz, e o irmão, Evandro Wirganovicz, também são réus pelo assassinato do menino
.
O processo criminal
No mês passado, a Justiça negou um novo pedido de liberdade para Leandro Boldrini, no processo
sobre o assassinato do filho. O pedido de habeas corpus foi feito pelo advogado de Leandro, Jader Marques. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ-RS), o defensor alegou "falta de
requisitos para manter a prisão cautelar do acusado", além de solicitar a transferência do processo da Comarca de Três Passos para Frederico Westphalen, onde
o menino foi encontrado morto.
Segundo as investigações da Polícia Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem de um sedativo e depois
enterrado em uma cova rasa. O inquérito apontou que Leandro Boldrini atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com
Graciele. Ainda conforme a polícia, ele também auxiliou na compra do remédio em comprimidos, fornecendo a receita azul. Leandro e Graciele arquitetaram o plano, assim
como a história para que tal crime ficasse impune, e contaram com a colaboração de Edelvania e Evandro.