A greve dos
caminhoneiros – que chegou ao nono dia nesta terça-feira (29) – tem afetado a entrega de medicamentos em cidades do Interior, principalmente na Serra e nas regiões
Norte e Central. O alerta é da Associação dos Distribuidores de Medicamentos do Estado do Rio Grande do Sul (Adimers), que representa 40 distribuidoras,
responsáveis por cerca de 90% das entregas de remédios no Estado.
Conforme o presidente da entidade, Márcio Cervo, as distribuidoras se
localizam principalmente na região metropolitana de Porto Alegre e há relatos de que muitos caminhões ficaram parados nos bloqueios — alguns veículos
começaram a ser liberados apenas nesta terça, mas ainda é insuficiente para a reposição de todos os estoques das farmácias do Estado.
De acordo com Cervo, o abastecimento em Porto Alegre e na Região Metropolitana foi feito com veículos de passeio que ainda possuíam combustível.
Assim, a dificuldade maior é o fornecimento nas cidades mais distantes.
— A maioria das distribuidoras está localizada em Eldorado do Sul, Porto
Alegre e Canoas. A distribuição é feita diariamente e, à medida que a farmácia vai vendendo, ela faz a reposição com as distribuidoras. A
gente teve uma defasagem de praticamente uma semana dos caminhões que fazem esse serviço de logística da Região Metropolitana para o Interior. Uma grande parte
dos caminhões estava até ontem (segunda-feira) parada nos bloqueios. Hoje a gente já teve um fluxo maior de mercadorias que foram para o interior para abastecer as
farmácias.
Os principais medicamentos em falta nas farmácias do Estado são aqueles mais específicos, que custam mais caro. Isso ocorre
porque os estabelecimentos vendem estes remédios sob encomenda e deixam poucos armazenados nos estoques. Medicamentos mais comuns possuem estoque maior.
O
presidente da Adimers explica que um caminhão parado já afeta boa parte da entrega em determinadas regiões, uma vez que a rota de transporte passa por várias
cidades. Nesta terça, ainda havia 15 caminhões de transportadoras em bloqueios nas rodovias. Na última semana, de quarta à sexta-feira, os distribuidores ficaram
parados.
— A gente, desde sexta-feira (25), ficou muito preocupado. O setor não abastece só farmácias, abastece clínicas,
clínicas de oncologia, hospitais, que não trabalham com estoque e sim com a demanda do dia. Espero que nos próximos dias possa ter uma melhora.
Márcio Cervo explica ainda que a normalização da reposição do estoque levará mais tempo para acontecer, mesmo que a paralisação
termine, isso porque as indústrias farmacêuticas ficaram sem abastecimento de matéria prima para fabricação de alguns medicamentos.
— É um efeito rebote. É certo que vamos ter um efeito no abastecimento futuro. Mesmo que se interrompa a greve, e já começou um movimento de flexibilizar
um pouco o transporte, ainda que insuficiente, a gente vai ter um efeito futuro.