O sol forte e o clima seco dos últimos dias começam a trazer prejuízos aos agricultores gaúchos, que esperavam colheita recorde
de 30,7 milhões de toneladas na safra 2013/2014. A grande ameaçada é a lavoura de milho, que está em fase crítica de desenvolvimento (florescimento e
enchimento de grão), e, em algumas regiões, pode registrar perda de mais de 20%. Em áreas pontuais nos municípios de Victor Graeff, Ernestina e Tio Hugo, o
prejuízo com a falta de chuva pode chegar a 50%, informa o superintendente de produção agropecuária da Cotrijal, Gelson Lima, que participou de reunião
para debater o problema na segunda-feira.
Segundo ele, há produtores que já estão encaminhando comunicados de perda ao Proagro e a
tendência é que os pedidos aumentem nos próximos dias. "Vínhamos com um desenvolvimento muito bom, mas, agora, tivemos temperaturas muito altas",
justifica. Com alta transpiração, as plantas se enrugam para não perder umidade, têm redução do sistema metabólico e enfrentam a
desidratação dos grãos de pólen. A MetSul Meteorologia alerta que o calor extremo previsto para hoje e amanhã deve causar ainda mais estresse nas plantas.
Apesar de estar resguardada de maiores riscos neste momento, a soja também é alvo de preocupação. Segundo Lima, é preciso que as plantas se desenvolvam
adequadamente agora para suportarem boa produtividade mais adiante.
A baixa umidade do solo também é alvo de alerta na região da Cooplantio. Segundo
o gestor da área técnica, Dirceu Gassen, medições na temperatura do solo feitas ontem, em Santa Rosa, indicavam 69 graus em áreas sem palha, 36 graus em
terrenos cobertos e 30 graus nas folhas. "Isso indica que ainda há água no solo, mas em algumas regiões não chove há 12 dias", pontua o
agrônomo. Entre as áreas de risco, destaca, estão os terrenos baixos de várzea da Metade Sul, que foram inundados há alguns meses e agora estão
secos, impedindo a semeadura da soja.
No Vale do Taquari, o calor intenso e a falta de chuva há três semanas prejudicam o milho, o feijão e a
soja, além das pastagens para alimentação do gado. Conforme o engenheiro agrônomo Nilo Cortez, a soja está na fase de germinação,
necessitando urgentemente de chuva, assim como o feijão, que está no enchimento das vagens. "O certo é que este ano não vamos ter uma safra cheia",
lamenta Cortez, lembrando que a previsão é de que vai demorar mais uma semana até a chuva chegar e isto deve prejudicar mais a safra.
Prejuízos também no Vale do Rio Pardo. O gerente técnico da Afubra, Iraldo Backes, explica que o calor desidrata as folhas do tabaco, e o agricultor perde na
classificação durante a comercialização. Conforme Backes, muitas folhas que seriam classificadas como do tipo O em condições normais acabam
passando para o subtipo K, de cor mais acinzentada devido ao sol forte.
Os problemas com o calor dos últimos dias atingem a região baixa do Vale do Rio
Pardo, onde não chove há dez dias e muitas lavouras estão com poucas folhas nos pés e a desidratação é maior. Para evitar prejuízos
maiores, Backes recomenda que os produtores se previnam com a colheita por talão. "Eles apanham todas as folhas de uma única vez. Ou seja, nas plantas onde ainda
há oito folhas, eles colhem todas em vez de apenas quatro e as outras quatro mais tarde", sugere. Mas o procedimento, muitas vezes, depende da capacidade das estufas e da
mão de obra disponível. "O agricultor pode até perder algumas folhas, mas ganha na qualidade."
Encerrada a safra de tabaco, os
produtores partem para o plantio do milho na resteva. Backes afirma que existe expectativa de boa produção. Ele observa que as condições climáticas das
últimas semanas não afetam o trabalho se for com o plantio direto. No entanto, o serviço ficará prejudicado caso o produtor opte por remover a terra. A
predominância de tempo seco deverá reduzir a produtividade do milho da safra. De acordo com o técnico agrícola da Emater de Santa Cruz do Sul, Carlos Corrêa
da Rosa, é importante chover durante esta semana.