Prefeitura de Santa
Vitória do Palmar, na Região Sul do Rio Grande do Sul, decretou situação de calamidade pública nesta quarta-feira (23). O motivo, segundo a
administração municipal, é a consequência da mobilização dos caminhoneiros, que protestam pelo terceiro dia seguido contra a alta nos
combustíveis.
A paralisação da categoria provoca falta do produto nos postos do município e de cidades vizinhas. Frentistas e donos dos
estabelecimentos dizem que, por enquanto, ainda não existe previsão para o recebimento de gasolina.
A decisão do prefeito Wellington Bacelo (MDB)
foi anunciada após uma reunião de emergência no gabinete, com os secretários municipais.
O decreto estabelece a suspensão
temporária de alguns serviços, como as aulas da rede municipal. As atividades serão canceladas a partir do fim da tarde desta quarta (23) e só serão
retomadas quando a situação estiver normalizada.
"Ressalta-se que serviços essenciais como a coleta de lixo e os serviços de
hemodiálise, quimioterapia e o serviço de ambulância serão mantidos pelas secretarias de Obras e Serviços Urbanos e de Saúde, respectivamente",
diz a nota enviada pelo Executivo.
Pela manhã, motoristas bloquearam o acesso à refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, na Região
Metropolitana de Porto Alegre, responsável pelo abastecimento de diversas cidades gaúchas e de outros estados do Sul do país. Motoristas eram abordados no acesso ao
local, e orientados a não entrarem.
O que querem os caminhoneiros
Os protestos começaram ainda na noite de
domingo (20) em diferentes rodovias federais e estaduais do Rio Grande do Sul.
A categoria quer a redução do valor do óleo diesel, que tem tido
altas consecutivas nas refinarias. Na terça (22), o preço subiu 0,97%. Mas a Petrobras já anunciou que a partir desta quarta (23), o valor cairá 1,54%.
A escalada dos preços aconteceu em meio à disparada dos valores internacionais do petróleo. As revisões podem ou não refletir para o
consumidor final – isso depende dos postos.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o
preço médio do diesel nas bombas já acumula alta de 8% no ano. O valor está acima da inflação acumulada no ano, de 0,92%, segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O sindicato que representa os postos de combustíveis no Rio Grande do Sul, Sulpetro, por meio de nota,
manifestou "descontentamento com a atual política de preços da Petrobras", com reajustes diários.
"A sistemática adotada em
julho de 2017 está penalizando nocivamente os empresários varejistas de combustíveis e, por consequência, o consumidor", diz o comunicado. Na visão do
sindicato, "a unifirmização das alíquotas de ICMS é uma das principais alternativas para reverter este quadro."
De acordo com
o Sulpetro, as margens de lucro da gasolina para os segmentos de revenda e distribuição de combustíveis, além do frete, caíram de 17,8% para 14,8% –
conforme dado de abril deste ano.