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03/05/2018 | 08:12 | Polícia

PF deflagra nova fase da Lava-Jato no RS, no DF e em outros quatro Estados

O alvo desta nova fase da operação são doleiros que integravam um sistema chamado Bank Drop

O alvo desta nova fase da operação são doleiros que 

integravam um sistema chamado Bank Drop
Em Porto Alegre, são cumpridos mandados em pelo menos cinco endereços, incluindo um prédio residencial na Bela Vista (Felipe Daroit / Agência RBS)
Em um novo desdobramento da Operação Lava-Jato, deflagrada na manhã desta quinta-feira (3), agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal cumprem 49 mandados de prisão preventiva (43 no Brasil e seis no Exterior), quatro de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão. A ação, batizada "Câmbio Desligo", é realizada no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal, além do Paraguai e do Uruguai.
O alvo principal desta nova fase da Lava-Jato — que tem como base a delação dos operadores do esquema do ex-governador Sergio Cabral, o doleiro Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony — são doleiros que integravam um sistema chamado Bank Drop, por meio do qual doleiros transferem dinheiro ao Exterior através do "dólar-cabo" e, com isso, garantem a remessa de valores sem passar por instituições financeiras reguladas pelo Banco Central.
Em nota divulgada à imprensa, a PF afirma que os mandados judiciais foram solicitados pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro e autorizados pela 7ª Vara Federal Criminal fluminense. "A operação visa desarticular organização criminosa especializada na prática de crimes financeiros e evasão de divisas, responsável por complexa estrutura de lavagem de dinheiro transnacional, ocultação e ocultação de divisas", diz o texto da PF.
De acordo com o jornal O Globo, Juca Bala e Tony formavam um grupo de gerentes liderados pelo doleiro Dário Messer — apontado como o "o doleiro dos doleiros" no Brasil e principal alvo desta operação —, para lavar dinheiro. Os doleiros atuavam no mercado paralelo de câmbio. Segundo a polícia, o sistema consistia em 3 mil offshores em 52 países, que movimentavam US$ 1,6 bilhão (R$ 5,6 bilhões). 
No Rio Grande do Sul estão sendo cumpridos pelo menos cinco mandados de prisão preventiva. Os alvos são o doleiro Antônio Claudio Albernaz Cordeiro (conhecido como Tonico Cordeiro), seu irmão  Athos Roberto Albernaz Cordeiro, além de Paulo Aramis Albernaz Cordeiro, Suzana Marcon e Carmen Regina Albernaz Cordeiro.
Tonico Cordeiro e Athos, ex-presidente do Sindicato da Indústria de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em geral no Estado (Sicepot-RS), já haviam sido investigados em outros procedimentos da PF. Athos foi réu em processo da Justiça Federal que investigava fraude em licitações na barragem de Taquarembó (entre Dom Pedrito e Lavras do Sul, na Campanha). Ele acabou absolvido, em 2016, mas quatro pessoas foram condenadas no episódio.
Em março de 2016, pela 26ª fase da Lava- Jato, batizada Operação Xepa, Tonico Cordeiro foi preso e levado para depor em Curitiba, além de ter material apreendido em sua casa. A operação foi um desdobramento da Operação Acarajé (23ª fase) e apurou, a partir de material apreendido, um esquema de contabilidade paralela pela construtora Odebrecht, que pagava vantagens indevidas a terceiros, vários deles com vínculos diretos ou indiretos com o poder público, em diferentes esferas.
Já em 2017, pela Operação Étimos, outro desdobramento da Lava-Jato, empresas ligadas aos irmãos Cordeiro foram alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF). A operação investigou um esquema de propina e lavagem de dinheiro envolvendo consultorias-fantasma e empreiteiras atuantes do Rio Grande do Sul, responsáveis, de 2000 a 2011, por grandes obras do Estado realizadas com recursos federais. Conforme a PF, os irmãos Cordeiro estavam envolvidos no desvio de recursos, por meio de contratos fictícios com as consultorias, e lavaram pelo menos R$ 30 milhões no Panamá e na Suíça.
Fonte: Gaúcha ZH
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