As recentes vendas de ações do Banrisul
seguem mergulhadas em polêmica. Enquanto o governo José Ivo Sartori afirma que as operações colaboram para fortalecer a saúde financeira do banco,
parlamentares da oposição questionam os resultados alcançados no mercado financeiro. Agora, o Ministério Público de Contas (MPC) do Rio Grande do Sul
busca detalhes sobre os leilões ocorridos nos dias 10 e 27 de abril.
O procurador-geral do MPC do Estado, Geraldo Costa da Camino, afirma ter enviado
ofício ao Banrisul, na segunda-feira (30), para solicitar informações a respeito das transações. No mesmo dia, o órgão recebeu pedido da
deputada estadual Juliana Brizola (PDT) para a instalação de auditoria que apure detalhes das operações.
A parlamentar ainda busca, em
caráter liminar, a suspensão das duas vendas durante o período de levantamento dos dados. Segundo Juliana, as medidas "tornam-se urgentes em razão do receio
de dilapidação intencional de patrimônio público às vésperas do final do mandato do governador do Estado".
Na
última sexta-feira (27), o Piratini, que controla o Banrisul, vendeu 2,9 milhões de papéis ordinários, que dão direito a voto em assembleias. Com
preço mínimo de R$ 17,65 por unidade, a negociação gerou R$ 52,5 milhões. A operação não foi divulgada previamente,
o que causou surpresa entre analistas que acompanham as movimentações do banco. Na véspera do leilão anterior, ocorrido em 10 de abril, o governo
havia comunicado ao mercado a intenção de vender 26 milhões de ações preferenciais (sem direito a voto), que renderam R$ 484,9 milhões.
– A venda de sexta-feira mostra a necessidade de o governo fazer caixa no curto prazo, pouco antes do começo de um novo mês, quando as despesas pesam
mais. Se o Piratini tivesse divulgado a negociação antes, poderia gerar maior demanda pelas ações. Sem o aviso, algum possível interessado pode não
ter sido informado, deixando de comprar. Isso pode ter jogado contra o banco – observa a analista Laís Martins Fracasso, da gestora de recursos Fundamenta Investimentos.
Troca de críticas entre governo e oposição
A venda de ações com preço mínimo de R$ 17,65
também é motivo de críticas da oposição. Na véspera do leilão, os papéis ordinários haviam encerrado a sessão cotados a
R$ 25,73 na bolsa de valores de São Paulo.
– O governo parece uma imobiliária pela metade. Uma imobiliária compra e vende. O governo
só vende. A criatividade para resolver problemas é zero. Isso nos deixa constrangidos – ataca o deputado estadual Pedro Ruas (PSOL).
O
líder do governo na Assembleia, Gabriel Souza (PMDB), rebate as críticas da oposição. Conforme o parlamentar, a venda de sexta-feira foi uma
"operação rápida" para evitar que investidores do mercado financeiro "especulassem para baixo" o valor:
– A
oposição foi a grande responsável por colocar o Estado na atual situação financeira. As ações só foram negociadas porque é
preciso fazer caixa. O mercado quer que o banco seja privatizado, mas o governador já reiterou que isso não acontecerá. Então, é natural que o
preço das ações baixe.
Em nota após a última negociação, o Piratini declarou que "o Banrisul seguirá
ainda mais fortalecido em sua gestão profissional". "A operação integra os esforços do governo do Estado em buscar o equilíbrio fiscal,
através de medidas financeiras emergenciais, e atender, desta maneira, seus compromissos mais essenciais para a sociedade", completa o texto.
– Foi
ofertado um grande volume de ações. Em um leilão com menos papéis, o preço poderia ter sido maior, assim como a demanda. Mas, nesse caso, o valor total
arrecadado talvez não fosse tão grande. São escolhas que o governo têm de fazer – pontua o analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller.
O Banrisul informou que só o controlador faria comentários.