Difícil mesmo é convencer quem mora à beira do rio Uruguai que chegou a hora de sair de casa. Alguns sempre esperam mais um
pouco, na tentativa de evitar o inevitável: o avanço das águas São Borja adentro.
Desde sexta-feira a rotina dos integrantes da Defesa
Civil Municipal de São Borja, formada por funcionários da prefeitura, tem sido essa. Agora reforçada por ajuda da dois pelotões da Brigada Militar de seis
equipes do 2º Regimento de Cavalaria Mecanizada do Exército. Nesse município da Fronteira Oeste já passa de 1,2 mil o número de pessoas desabrigadas (que
tiveram de ir a abrigos) ou desalojadas (que foram para casa de familiares). A enchente atinge três bairros.
Os 38 militares do Exército patrulham as
áreas ribeirinhas em quatro caminhões e, quando encontram famílias relutantes em sair de casa, fazem um trabalho de convencimento. Na rua Pablo Neruda, que costeia o
Uruguai e por isso uma das mais inundadas,Taís Galvão de Bastos, 15 anos, e Paula Rodrigues Ribas, 14, não queriam deixar para trás seus bichinhos de
estimação: o gato Tigre (de Taís) e a coelha Bioncé (de Paula). Foram junto para o abrigo improvisado numa associação comunitária do bairro
Porto do Angico.
Os militares enchem os caminhões (os 5 Ton, referência à capacidade de carga) com mobília e eletrodoméstico dos
flagelados. Depois recomendam chavear a casa e levam as famílias aos quatro abrigos montados pela prefeitura.
Os bombeiros do município também
percorrem o caudaloso Uruguai em canoas motorizadas. Vão de ponto em ponto, em busca de possíveis ilhados - gente que não saiu a tempo e foi isolada pelo rio.
Até agora não encontraram isolados, apenas pessoas que relutavam em sair, mas tinham condições e foram convencidas.
O rio Uruguai
está hoje com 14 metros acima do nível e, como a chuva não para, a convicção geral é que vai superar a marca da última grande cheia,
ocorrida em 1998, que foi de 16 metros acima do nível.