Em almoço nesta sexta-feira (27/06) na sede da Federação da Agricultura
do RS, com o ministro da agricultura, Neri Geller, o presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, pediu espaço para defender a posição da entidade em
relação à Tarifa Externa Comum (TEC) para o trigo importado de fora do Mercosul na reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), no próximo
dia 3. “Nos momentos em que tínhamos que preservar a safra e o produtor daqui, o Governo não preservou. Entregamos um ofício pedindo espaço na
reunião da Camex para apresentar nossos argumentos técnicos justificando a manutenção da TEC. Não descartamos chamar o Conselho da Federação
para ajuizar ou não a questão porque iremos aos extremos para que isso não se repita”, afirmou Sperotto. Geller se comprometeu a levar a solicitação
adiante e destacou o trabalho conjunto feito com a entidade, buscando escutar e valorizar cada vez mais o setor produtivo. “Enquanto eu estiver como ministro, podem ter certeza de que
vou defender a produção nacional e continuaremos alinhados com vocês porque, quem produz, move a economia”, reiterou Geller aos presentes.
O
ministro explicou que por meio do trabalho feito pela Farsul e pelo próprio Ministério da Agricultura, a TEC já havia sido retirada de pauta de duas reuniões
anteriores da Camex. “Não aceitamos a isenção da TEC para 2,5 milhões de toneladas para abril. Conseguimos baixar para 1 milhão de toneladas, mas
não tivemos como evitar a supressão da tarifa pelo acordo feito anteriormente.”, disse o ministro. Ele explicou ainda que foi negociado para que o período de
internalização deste montante não se estendesse durante a época de colheita da safra nacional, ficando então estipulado o prazo até 15 de
agosto.
Ministro não garante interrupção de leilões de arroz
Geller também acatou o pedido
do setor produtivo arrozeiro de não realizar leilões para evitar queda no preço do produto. “Sabemos da importância da produção do cereal no
Estado, então não realizaremos leilões por enquanto para o produtor poder fazer a comercialização com remuneração justa. Porém, se o
preço subir muito, teremos que fazer, mas sempre ouvindo bem o setor e discutindo”, alertou Geller. Sobre o pedido de revisão do preço mínimo para o arroz,
que hoje é de R$ 25,80 a saca de 50 kg no Estado, o ministro disse que foi formado um grupo de trabalho para analisar a questão, já que há divergência de
dados entre o Governo e o setor privado. Se por argumentos técnicos for provada a defasagem do preço mínimo, a Conab será chamada para fazer a revisão,
garantiu Geller.
Já em relação ao feijão, o ministro informou que o Governo deve fazer novas aquisições através de
operações de AGF para garantir o preço mínimo ao produtor (R$ 105/saca), já que as vendas têm sido feitas abaixo dele - entre R$ 40 e R$ 50 a saca,
segundo Sperotto. “Já compramos mais de R$ 20 milhões através de AGF para dar sustentação de preço aos nossos produtores após uma
reivindicação feita em Vacaria cerca de 30 dias atrás. Agora tem mais uma demanda e nós entramos de novo e quando precisar nós vamos entrar no
mercado”, assegurou Geller.