O
Departamento de Investigações da Polícia Federal de Passo Fundo está a todo vapor. São várias as diligências que estão sendo
realizadas com o objetivo de desmantelar uma quadrilha responsável pelo desvio de verbas do Serviço Único de Saúde – SUS. Os inquéritos policiais
investigam enriquecimento ilícito, compra de materiais usados em próteses e órteses, procedimentos cirúrgicos desnecessários e tantos outros
crimes.
Um dos alvos da Polícia Federal é o Doutor Alberto Kaemmerer, que havia sido contrato com função de reestruturar os
mais variados setores de atividade em cada área médica dentro do São Vicente. Com o passar do tempo, os seus desmandos gerou revolta em parte da classe médica
que atua nessa casa de saúde.
Umas das investigações já resultou na Operação Efeito Colateral, que busca descobrir as
legalidades sobre os repasses de recursos do Hospital para uma empresa de fachada (ramo de consultoria).
Segundo fontes da Uirapuru, o esquema investigado por essa
operação funciona da seguinte forma: aparece um produto novo no mercado e o médico solicita para o Hospital a aquisição. Com isso, o HSVP busca um
representante das indústrias e este comparece com toda a documentação que é apresentada primeiramente no Departamento Jurídico e depois ao Departamento
Administrativo. Dando o sinal positivo para a compra, toda documentação volta para análise final dos advogados. Porém, o Dr Kaemmerer decidiu assumir toda essa
responsabilidade, excluindo a necessidade de passar pelos departamentos do HSVP.
Ele próprio encaminhava para uma empresa de consultoria, que pertence a sua
ex-esposa Candida Maria Conceição Carvalho Neves. Essa empresa efetua os procedimentos para a compra dos produtos através do filho do casal João Paulo Neves
Kaemmerer que trabalha na empresa Meditronic, uma das principais fornecedoras de produtos médicos hospitalares para o HSVP.
Também é investigada a
atitude de Alberto Kaemmerer impedir que qualquer médico ou enfermeiro comunique a ANVISA sobre possíveis defeitos dos produtos utilizados em procedimentos cirúrgicos.
E essa comunicação da ANVISA é obrigatória por lei.
Além desta frente de investigação via Polícia Federal,
também o Ministério Público Federal, através da Procuradoria da República, tem um processo Cível aberto desde 2009 por improbidade administrativa
(danos ao erário público e enriquecimento ilícito).
A Justiça Federal já acolheu o pedido do MPF e solicitou o bloqueio total de
bens dos seguintes médicos: Norberto Toazza Duda, Rogério Tadeu Tumelero, Gilberto Heineck, Marcelo Fialho Roman, Márcio Lautert Balbinotti, Álvaro Luis Machado
Soares, Luciano Panata e Rudah Jorge. A denúncia se refere ao mau uso de recursos do SUS na área da Hemodinâmica do HSVP, mais especificamente na colocação
de Stents.
Médicos se unem para iniciar limpeza moral no HSVP
Devido a grave crise institucional que o Hospital São
Vicente de Paulo está enfrentando, noventa e cinco médicos do Corpo Clínico buscam caminhos para colaborar na solução dos problemas. Em carta emitida para
o Presidente da Associação Hospitalar, Décio Ramos de Lima, eles manifestam apoio ao centenário HSVP, desde que dentro dos princípios técnicos,
éticos e legais vigentes.
O grupo exige imediato afastamento de dentro da instituição pessoas e empresas em investigação, sendo que
esses constituem ameaça aos profissionais e à serenidade necessária para o atendimento de pacientes. Eles também destacam que buscam o caminho do diálogo
para tentar evitar a derrocada do HSVP.
A Polícia Federal não está passando informações acerca das
investigações.
Hospital São Vicente de Paulo
A direção do HSVP emitiu um pronunciamento
referente a divulgação de fatos envolvendo a instituição hospitalar. De acordo com a nota, a direção conduz todas as suas atitudes dentro dos mais
rigorosos critérios legais. Também informou que estão colaborando com a Polícia Federal e tomando todas as medidas cabíveis referente aos fatos
investigados. Destacam e asseguram que os serviços médicos hospitalares prestados pela instituição são totalmente seguros.