Com pouco mais de 8 mil habitantes e atingida pela chuva desde segunda-feira, Iraí foi tomada
por uma corrente de solidariedade nos últimos dias. A maior parte das 1,3 mil pessoas que tiveram de deixar suas casas por causa da enxurrada conseguiu abrigo com parentes e amigos.
A cidade da Região Norte decretou estado de calamidade pública.
— O fato de ser uma cidade pequena ajuda. As pessoas vão para casa de
um, para casa de outro — conta o vice-prefeito Edson Borges do Canto, também responsável pela Defesa Civil.
Borges estima que há, pelo
menos, 350 famílias fora de casa — o número, no entanto, pode se aproximar de 450. A cheia do Rio do Mel prejudica diferentes pontos do município, que tem
problemas de acesso a propriedades rurais.
Nas áreas mais atingidas, o volume de água chega ao telhado de residências, demandando um esforço
conjunto de Executivo, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Brigada Militar. A atuação de voluntários também é importante para remoção de
pessoas e retirada de pertences.
Na noite desta sexta-feira, o casal de aposentados Wilmar, 72 anos, e Irma Patzlaff, 71 anos, limpava a casa de madeira e alvenaria
onde mora há quase três décadas. Restavam poucos móveis nos cômodos: quase tudo tinha sido tirado com o auxilio de amigos e levado a um vizinho para dentro
de um caminhão emprestado.
— Moramos aqui desde 1984 e nunca tínhamos visto isso — conta Patzlaff, enquanto aponta para a cheia no rio, que
fica a 500 metros de seu pátio e inundou o primeiro piso de sua casa, usado como depósito.
As laranjeiras do pomar foram cobertas pela água
marrom, e a antena de TV ficou só com a parte superior à vista. Situação semelhante vivem os vizinhos.
Na quinta-feira, um dos dias mais
críticos desde que começou a chuva, dezenas de moradores saíram às ruas oferecendo ajuda para que móveis e eletrodomésticos fossem salvos. O Rio do
Mel atingiu um nível de 17,5 metros.
Conforme balanço da Defesa Civil estadual, há 400 desabrigados (que precisam de abrigo oferecido pelo
poder público) e 900 desalojados (estão na casa de conhecidos). No Estado, 4.675 pessoas tiveram de deixar suas casas, em 52 municípios.
Por
determinação do governador Tarso Genro, uma comitiva do governo se reunirá com representantes dos municípios em situação difícil na
manhã deste sábado. O secretário do Gabinete dos Prefeitos e Relações Federativas do Estado, Jorge Branco, garantiu que as cidades atingidas pelas cheias
estão sendo monitoradas e recebem materiais como água potável e kits de higiene.
— Neste primeiro momento, o objetivo é preservar
a vida, mas já iniciamos um levantamento dos prejuízos — explicou.