Era por volta das
21h30min de quarta-feira (21) quando os agentes do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc) prenderam mãe e filha que fariam a entrega de 13
pistolas de origem turca para "soldados" de uma facção criminosa invadirem pontos de tráfico de um grupo que rival, que atua nos arredores da Arena do
Grêmio, em Porto Alegre. Até poucas horas antes, os investigadores sabiam que um plano vinha sendo traçado. A informação de que o ataque seria executado em
meio à multidão que chegava para a final da Recopa, entre Grêmio e Independiente, surpreendeu até ao delegado Rafael Soares Pereira, que comandou a
investigação.
Coincidentemente, ele se dirigia ao estádio no começo da noite para assistir ao jogo.
— Eu estava a caminho com meus pais quando recebi uma ligação do chefe de investigação. Ele me passou as últimas informações e
combinamos como seria a ação para que nada saísse do controle — conta o delegado.
Os policiais surpreenderam a dupla na esquina entre as
ruas Amynthas Jaques de Moraes e A.J. Renner.
Depois de presas as duas mulheres e apreendido o arsenal, a decisão da Recopa encaminhava-se para o
final enquanto mãe e filha eram levadas ao Denarc, onde o flagrante foi registrado durante toda a madrugada. Ainda deu tempo para Pereira desviar rapidamente o seu caminho. Entrou no
estádio, viu o Grêmio erguer a taça e abraçou a mãe, que estava de aniversário na quarta.
Apreensão
histórica
As pistolas tinham origem na fabricante Canik, da Turquia. A suspeita é de que faziam parte de um lote de armas traficadas
recém entregue em Porto Alegre. De onde vinham, ainda é um mistério para a polícia.
— Eram armas novíssimas, algumas
inclusive com um lacre. Mas já haviam sido preparadas para o uso — aponta o delegado Pereira.
O cuidado dos criminosos foi tamanho que todas as pistolas
tiveram as numerações suprimidas de um modo mais sofisticado do que o comum. Não foram raspadas, mas tiveram os números riscados com o uso de algum equipamento
não identificado pela polícia.
A suspeita dos investigadores é de que as 2 mil munições apreendidas na mala não tinham a mesma
origem das armas. Parte delas tem selos de recarga, mas são todas do mesmo calibre das pistolas: 9mm.
O prejuízo para a facção criminosa
é avaliado em torno de R$ 200 mil.
— Foi a maior apreensão de pistolas da história do Denarc e a maior apreensão de armamentos desde
ano na Polícia Civil — diz Mario Souza, diretor de investigações do Denarc.
O delegado destaca que, além de atacar a
ação do tráfico, a apreensão teve caráter preventivo.
— Certamente evitamos mais uma ação de extrema
violência do crime em Porto Alegre. Evitamos uma tragédia com algumas mortes — aponta.
A polícia ainda investiga as duas mulheres presas em
flagrante, que não tiveram os nomes divulgados, para chegar aos donos do armamento. Elas ficaram caladas na delegacia. De acordo com o delegado Rafael Soares Pereira, não
há indícios de que tenham sido coagidas a fazer o transporte do arsenal. Teriam agido pelo pagamento que receberiam para a ação. Não se sabe qual foi o
valor.