Após a liberação pela Justiça Federal dos cinco indígenas caingangues suspeitos de matarem
a tiros e pauladas dois agricultores em abril desde ano, os caciques envolvidos na disputa agrária com produtores rurais devem se reunir para discutir os próximos passos do
movimento. Os irmãos Alcemar de Souza, 41 anos, e Anderson de Souza, 26 anos, foram mortos a tiros e pauladas em abril deste ano no interior de Faxinalzinho, pequena cidade
agrícola no norte do Rio Grande do Sul.
No Estado existem 10 mil índios acampados disputando terras com 600 famílias de agricultores. Há
12 anos, caingangues e agricultores de Faxinalzinho estão em conflito pela posse de uma área de 5 mil hectares. Em maio, o cacique Deoclides de Paula, 41 anos, e outros
quatros índios foram presos temporariamente pela Polícia Federal (PF) como suspeitos das mortes dos irmãos Souza. A prisão havia sido prorrogada por mais 30
dias, no início de junho. No fim de semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) avisou a Justiça Federal, em Erechim, que concedera liminar para libertar os cinco
indígenas.
— Os alvarás de soltura foram feitos no sábado — informa Ribamar de Oliveira, secretário da 1ª Vara da
Justiça Federal de Erechim.
O inquérito policial está sendo feito pela PF de Passo Fundo. Os cinco indígenas estão no acampamento
caingangue de Faxinalzinho.
— Nós vamos deixar a poeira baixar e, na próxima semana, vamos conversar para ver para qual lado o movimento de retomada
das terras indígenas vai — comenta o cacique Roberto Carlos Santos, do acampamento do Rio dos Índios, uma área de 600 hectares que é disputada com
agricultores de Vicente Dutra, cidade na barranca do Rio Uruguai.
ZH ligou para o cacique Deoclides, que não retornou o telefonema. Em Faxinalzinho, o ambiente
é de expectativa, adianta Ido Antonio Marcon, presidente da Associados dos Moradores do município.
— Não vamos fazer nada precipitado.
Vamos esperar para que lado vai o movimento dos índios para agirmos — afirma.