A Polícia Civil investiga o primeiro caso de pedido de resgate em bitcoin (moeda virtual) no Rio Grande do Sul.
Criminosos invadiram o sistema da Prefeitura da Joia, no Noroeste do Estado, e pediram 4 mil dólares em bitcoin para liberarem os arquivos do Executivo municipal. Apesar do crime ter
ocorrido na madrugada da última segunda-feira, setores como o de Pessoal e de Contas seguem fora do ar. Também não é possível acessar o site da
prefeitura. O Deic, em Porto Alegre, investiga o crime.
De acordo com Jackson Pinheiro, do setor de Contabilidade da prefeitura, o crime ocorreu pouco depois da
meia-noite. Às 8h, quando os funcionários chegaram para o trabalho, não conseguiram acessar os servidores de toda a administração local. Pinheiro disse
que em um primeiro momento os técnicos da prefeitura pensaram que fosse queda de energia, pois a cidade tem enfrentado constantes problemas nesse setor.
“Porém, o sistema continuou paralisado durante toda a segunda-feira”, lembrou Pinheiro. “Chegamos a tentar acessar todos os arquivos e nada deu certo. Apenas o que
salvamos na "nuvem", antes da meia-noite, conseguimos acessar e reinstalar para trabalhar minimamente”. Assim, férias de funcionários, empenhos e pagamentos
ficaram prejudicados. Ao acessar o que estava na "nuvem", os técnicos constataram que o sistema havia sido invadido.
Segundo Pinheiro, quanto mais
os funcionários acessavam os arquivos, mais bloqueado ficava o servidor. Em uma das memórias, os criminosos deixaram um e-mail. Um funcionário abriu e viu que tinha um
endereço eletrônico para fazer contato. “Enviamos um e-mail e recebemos como resposta que deveríamos enviar 4 mil dólares em bitcoins para que eles
liberassem os nossos arquivos”, contou. “Inclusive, eles propuseram que mandássemos um arquivo qualquer para eles desbloquearem, provando que estavam falando
sério”, disse Pinheiro, ressaltando que a prefeitura não pagará a quantia, pois ela é exorbitante, além de ser um caso à margem da
lei.
Nesta sexta-feira, a prefeitura estava trabalhando de forma precária. O site ainda estava fora do ar. Segundo Pinheiro, se certos arquivos não forem
recuperados, ficará muito difícil o trabalho administrativo, pois documentos terão que ser procurados manualmente. O caso foi registrado na Polícia local que
repassou o caso para Porto Alegre. O pedido de resgate em bitcoin se deve ao fato desta modalidade não poder ser rastreada.