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17/06/2014 | 14:03 | Polícia

Eles me ameaçaram o tempo todo, diz mulher de Pedro Simon

Ivete Simon foi vítima de um sequestro- relâmpago na noite de segunda-feira

Ivete Simon foi vítima de um sequestro-

relâmpago na noite de segunda-feira
Foto: Dulce Helfer / Agência RBS
Depois de passar pelo maior susto de sua vida, Ivete Simon, 53 anos, mulher do senador Pedro Simon (PMDB-RS), conversou com Zero Hora e contou os detalhes do sequestro-relâmpago do qual foi vítima na noite de segunda-feira.
Ivete havia acabado de estacionar o carro em casa, na Avenida Protásio Alves, em Porto Alegre, quando foi abordada por dois criminosos por volta das 22h de segunda-feira. Acabou sendo liberada no início da madrugada, ilesa mas em choque. Os bandidos roubaram R$ 1 mil em dinheiro, além de objetos pessoais e compras de supermercado, que estavam no veículo.
Até o meio-dia desta terça-feira, nenhum dos bandidos havia sido preso, mas os agentes da 8ª Delegacia de Polícia Civil trabalhavam para reconstituir o trajeto feito pelos sequestradores.
— É uma questão de tempo para chegarmos aos responsáveis — disse a delegada Vandi Lemos Tatsch.
A seguir, confira os principais trechos da entrevista concedida por Ivete na manhã desta terça-feira.
Como tudo aconteceu?
Cheguei tarde de Gramado, onde tinha passado o fim de semana. Como hoje (nesta terça-feira) era aniversário do Pedrinho, meu filho, e eu queria fazer um almoço especial, decidi passar no Bourbon. Coisa de mãe, sabe? Quando cheguei em casa, deixei o carro na entrada da garagem. Tive um pressentimento, mas não percebi nada de anormal. Fui pegar as compras no banco de trás, e a minha menina de 10 anos saiu do carro. No momento em que ela se virou para pegar uma sacola, eu já estava sendo calçada por dois homens encapuzados. Eles tinham um revólver e me jogaram no banco de trás do carro.
E a sua filha?
Ela fugiu, entrou no prédio e bateu a porta. Um deles perguntou quem era, mas eu desconversei. Depois ele queria saber se o carro tinha rastreador. Eu menti e disse que não tinha. Também disse que o carro não era meu.
A senhora conseguiu manter a calma?
Sim, na base da oração. Sou crente, serva do senhor. Comecei a orar o salmo 91. Sabe o que um deles falou? "Ora o salmo 23." É aquele que diz que o senhor é meu pastor e que nada me faltará. Eles diziam para eu não gritar nem fazer sinais. Fiquei deitada o tempo todo, com a cabeça baixa. Rodaram muito tempo atrás de uma agência bancária, só que todas estavam fechadas.
Eles sabiam quem era a senhora?
Não.
Houve alguma menção ao senador Pedro Simon?
Em nenhum momento. Quando o bandido me pediu o cartão, eu dei o meu, não o do Simon.
O senador estava em casa?
Sim. Ele tinha acabado de voltar da missa. Coitado, quando o Pedrinho deu a notícia, ele só pôs a mão no coração. Com 84 anos, ele disse: "Não posso mais sofrer essas emoções." O Pedrinho se assustou e começou a pedir calma. Disse que eu ia voltar e que a polícia já estava avisada.
Os bandidos fizeram ameaças?
Eles me ameaçaram o tempo todo. Um deles dizia: "Já apaguei uns cinco, a senhora não se mexe."
Houve agressão física?
Não. Mas na hora que me jogaram no banco de trás, meu braço ficou roxo.
O que aconteceu depois?
Eles pararam numa vila. Continuei deitada no banco, enquanto limparam o carro. Apareceu um monte de gente. Pegaram as minhas bolsas, as compras, os celulares. Eu tinha comprado cinco maminhas para o churrasco do Pedrinho. Um deles chegou a dizer que o rango estava garantido. Depois me deixaram presa no carro, pegaram uma moto e foram sacar dinheiro. Conseguiram tirar R$ 1 mil.
Eles voltaram à vila?
Sim. Ouvi o barulho da moto e pensei: ou conseguiram dinheiro ou vão me matar. Me pediram para sair do carro e sentar no banco da frente. Eu tremia. Um deles mandou seguir, sem olhar para trás. Só sei que pisei no acelerador e voei. Passei no meio de pedras, de lago. Entrei num matagal e fui pedindo informação. Num boteco, vi um senhorzinho sentado, e ele me disse como sair de lá. Não mudei de marcha. Passei pardal, passei tudo o que tinha pela frente. Eu só queria sair de lá. Fiquei tão mal que comecei a vomitar. Quando cheguei na Avenida Protásio Alves, entrei num quiosque e pedi socorro.
A polícia chegou logo?
Em 10 minutos. Eles já estavam atrás, e a delegada foi fantástica. Eu estava paralisada, grudada na direção. Foi ela quem me tirou de lá.
Como foi o reencontro com o senador?
A gente entrou em casa à 1h30min e só se abraçava e chorava.
Fonte: Zero Hora
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