O Ministério Público (MP) apresentou denúncia criminal contra
seis integrantes de facção criminosa devido ao cárcere privado e ao homicídio de Rudimar Gonçalves Müller, 18 anos, e Thuane Gonçalves da
Cruz, 20 anos, ocorridos em novembro deste ano em Palhoça. Os suspeitos colocaram fogo no casal, filmaram a ação e divulgaram nas redes sociais.
A denúncia ajuizada pela 8ª Promotoria de Justiça da Comarca de Palhoça relata que Rudimar e Thuane auxiliavam Deivid Henrique Mariano no tráfico de drogas.
Na noite do dia 19 de novembro de 2017, o casal foi abordado pela polícia e em seguida liberado, pois não tinha nada ilícito em seu poder.
Deivid e Sidnei Valmir Silveira de Melo, que segundo o MP ocupa o cargo de "disciplina" da facção criminosa, desconfiaram, devido à rápida
liberação, que o casal havia delatado as atividades ilícitas da facção.
Foi então que, com auxílio de Maicon
Franca Taube, Pamela Franciele Lopes da Rosa — companheira de Sidnei —, Luciano e Silva e Evandro de Lima Soares deram início ao sequestro e homicídio de Rudimar e
Thuane, também segundo a denúncia da promotoria.
Na mesma noite Rudimar e Thuane foram levados à casa de Sidnei e Pamela, onde teriam sido
severamente interrogadas, submetidos a intenso sofrimento. O interrogatório foi gravado para servir de base para o julgamento pelos demais integrantes da facção
criminosa.
Na noite seguinte, após a ordem das lideranças da facção, Rudimar foi levado até um terreno baldio no bairro
Aririú, em Palhoça, onde foi atingido por diversos golpes de facão e queimado ainda vivo. Em seguida, levaram Thuane até uma estrada isolada no município
de Águas Mornas e mataram-na da mesma forma. Depois, fizeram vídeos com os cadáveres comemorando as execuções.
Assim, os envolvidos
foram denunciados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (por ter sido praticado por motivo fútil, sem possibilidade de defesa e com emprego de fogo e tortura),
cárcere privado, vilipêndio de cadáver, destruição parcial de cadáver, corrupção de menores e organização
criminosa.
O Ministério Público pediu, ainda, a conversão da prisão temporária dos seis denunciados em prisão preventiva, e a
liberação de um sétimo suspeito, também preso temporariamente, por não haver provas suficientes de sua participação. A denúncia ainda
não foi recebida pelo Poder Judiciário. Somente após o recebimento os denunciados passam a ser réus na ação penal. A reportagem não
conseguiu contato com as defesas dos suspeitos.