Durante coletiva de imprensa no final da manhã desta quarta-feira, 11, o Ministério Público detalhou a Operação
Leite Compen$ado VI, desencadeada com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Receita Estadual e da Brigada Militar. Participaram da
entrevista, realizada no auditório da Câmara de Vereadores de Santo Augusto, o Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Ivory Coelho Neto; os
Promotores de Justiça da Especializada Criminal, Mauro Rockenbach, e de Defesa do Consumidor, Alcindo Luz Bastos da Silva Filho; que coordenaram os trabalhos; o Promotor de
Justiça de Combate aos Crimes contra a Ordem Tributária, Aureo Gil Braga; e o Promotor de Justiça de Santo Augusto Rodrigo Louzada.
Até o momento quatro pessoas foram presas durante a ação. O responsável pela captação no posto de resfriamento da Confepar no município de
São Martinho, Fernando Júnior Lebens; o Presidente da Cooagrisul, Alcenor Azevedo dos Santos; e o transportador de leite Diego André Reichert já haviam sido
detidos nas primeiras horas da manhã. No início desta tarde foi preso Cleomar Canal, um dos sócios da Transportes Três C, de Ibirubá. Ele já foi
denunciado pela mesma prática delituosa na primeira fase da Leite Compen$ado, em maio de 2013, mas o processo ainda não foi julgado. Uma última pessoa continua sendo
procurada no Paraná.
A sexta fase do trabalho do MP trata da fraude no leite enviado para a Confepar Agro-Indústria Cooperativa Central, com sede
no Paraná. Após mais de seis meses de investigações, ficou comprovado que a Cooperativa adquiria leite fraudado ou em deterioração no Rio Grande do
Sul. O volume total do produto levado do Estado pode chegar a 7,3 milhões de litros por mês.
CONCORRÊNCIA
CRIMINOSA
Durante a coletiva, o Subprocurador Jurídico destacou o apoio da Administração do Ministério Público ao
trabalho desenvolvido pelos colegas durante todas as etapas da Operação Leite Compen$ado. “É uma atuação que nos orgulha e vem sendo realizada por
quem atua na linha de frente da Instituição”, destacou. Conforme Ivory Coelho Neto, “se a reiteração das condutas criminosas significa um desafio ao
MP, nós o aceitamos e não iremos esmorecer até que a cadeia produtiva do leite retorne ao padrão de qualidade necessário e esperado pela
sociedade”.
Segundo revelou o Promotor Mauro Rockenbach, somente em dois dias de fiscalização do Mapa, 60 amostras de leite foram
consideradas impróprias para o consumo. De acordo com ele, o destino de todo esse produto era o estado do Paraná e nenhuma carga foi comercializada no Rio Grande do Sul.
“É importante salientar que a Confepar sabia que estava recebendo produto impróprio para o consumo. O que observamos é que essa cooperativa entrou no RS
há, aproximadamente, 18 meses para realizar uma concorrência criminosa, pagando um valor maior pelo litro do leite e cooptando rotas de produtores que antes forneciam para
outras indústrias”, frisou.
Já o Promotor de Justiça de Defesa do Consumidor Alcindo Luz Bastos da Silva Filho destacou que a
partir de agora a unidade de resfriamento da Confepar em São Martinho atuará em regime especial de fiscalização imposto pelo Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento. Alcindo Bastos também revelou que segundo o que foi apurado pelo Ministério Público, o produto adquirido no Rio Grande do Sul pela
Confepar vem sendo utilizado para produção de leite e derivados da marca Polly no estado vizinho. “Nosso trabalho continua e, enquanto houver qualquer tipo de
alteração na matéria-prima do leite, seguiremos agindo”, finalizou.