A Polícia Federal prendeu na tarde desta sexta-feira (3) em Porto Alegre o ex-espião da ditadura uruguaia Ronald Mario Neyra Barreiro,
que disse ter participado de uma operação para planejar a morte do ex-presidente brasileiro João Goulart. Ele foi encontrado por volta das 15h30 no Centro da capital
gaúcha.
Segundo a PF, o mandado de prisão para extradição foi expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido das autoridades
uruguaias. Barreiro já havia sido preso na capital gaúcha em julho de 2015. Além de estar foragido, ele portava documento falso, segundo informou na época a
Brigada Militar.
Em 2006, quando cumpria pena por crimes comuns em Charqueadas, na Região Carbonífera do estado, Barreiro afirmou em depoimento que
espionava Jango durante o exílio e que teria participado de uma operação para trocar os remédios do ex-presidente por uma substância mortal.
O depoimento foi uma das evidências que levaram a Comissão Nacional da Verdade (CNV) a determinar a exumação do corpo de Jango com objetivo de
realizar uma perícia para apurar a causa da morte.
A exumação foi realizada em novembro de 2013 no cemitério onde o ex-presidente foi
enterrado, em São Borja, sua terra natal. O resultado da perícia foi apresentado em dezembro de 2014 e não encontrou sinais de envenenamento.
Presidente deposto no golpe militar de 1964, Jango foi exilado e morreu na Argentina, em 1976. A causa oficial da morte foi infarto.
Familiares do ex-presidente acreditam
que ele foi assassinado em uma ação da Operação Condor, aliança entre as ditaduras militares da América do Sul para perseguir opositores dos
regimes. A suspeita levantada era de envenenamento por cápsula colocada no frasco de medicamentos que ele tomava para combater problemas no coração.