O advogado Jader Marques, defensor do médico Leandro
Boldrini, declarou que a investigação da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público sobre a morte de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos,
apresentam defeitos graves. O defensor do pai de Bernardo apresentou, em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, explicações para 12 indícios apresentados
contra Boldrini, apontado como mentor do crime pela denúncia. Fotos e áudios foram elementos expostos à imprensa.
Além disso, Jader
informou quem serão as 24 testemunhas de defesa e surpreendeu: arrolou a promotora Dinamárcia Maciel de Oliveira – autora da denúncia do caso à
Justiça. A intenção do advogado é que ela responda a questionamentos envolvendo a ausência de investigação sobre o comportamento da madrasta,
especialmente após o MP ter recebido um e-mail, em novembro de 2013, informando que Graciele Ugulini teria tentado asfixiar Bernardo com um travesseiro.
O
Ministério Público (MP) comenta que o órgão e a promotora não vão se manifestar enquanto não tiverem conhecimento da alegação
da defesa. Sobre a participação de Dinamárcia como testemunha de defesa, a assessoria de imprensa do MP diz que "como ela atuou sendo titular da ação
penal, o entendimento dela sobre o assunto está materializado na denúncia". A participação da promotora como testemunha poderia até mesmo anular o
processo e a exclusão pode ser solicitada ou definida pelo juiz.
Entre as outras testemunhas convocadas estão policiais, que presenciaram o momento da
prisão de Boldrini, advogados envolvidos no inventário da mãe de Bernardo, pacientes e funcionários da clínica, médicos e moradores de Campo Novo,
cidade natal do cirurgião. Além disso, dois irmãos e a mãe de Boldrini também devem ser ouvidos como informantes. Ainda não há data para a
audiência em que as testemunhas de defesa serão ouvidas.
Jader disse que aguarda a chegada de algumas provas, como áudios de escutas
telefônicas, e espera o julgamento do pedido de habeas corpus do cliente e da mudança de comarca, de Três Passos para Frederico Westphalen. Na primeira
avaliação, o pedido foi negado pelo desembargador Nereu José Giacomolli.
Comparação entre rubricas de Boldrini. Na folha branca,
as repetições solicitadas por Jader e, à direita, a rubrica feita em receita de medicamento usado na morte de Bernardo. Defesa alega que assinatura da receita é
falsa, pois apresenta um risco para baixo que não é feito pelo médico.
Em escuta telefônica, Boldrini fala sobre possível
envolvimento da mulher no crime: