No último fim de semana, pelo menos seis pessoas foram assassinadas na Grande
Florianópolis. Quatro crimes ocorreram em Palhoça, sendo duas mortes em confronto com a Polícia Militar. Outras duas pessoas foram mortas em Florianópolis. No
primeiro semestre do ano, a região, que conta com 21 cidades, já registrou um salto de 59% no número de homicídios, se comparado ao mesmo período do ano
passado.
Quem alavanca a estatística é a Capital que, sozinha, registrou acréscimo de 111% nas mortes (de 45 para 95). Palhoça
ocupa o segundo lugar da estatística, com incremento de 33,3% nos assassinatos (de 12 para 16). Os dados são da Secretaria de Segurança Pública, que
disponibiliza os números de 2017 só até julho.
Os crimes se concentram na Capital, Palhoça, São José e Biguaçu.
Nos municípios menores quase não há registro de homicídios. Pelo menos 11 cidades da região não tiveram assassinatos neste ano.
Para o diretor de polícia da Grande Florianópolis, Verdi Furlanetto, o aumento dos crimes está relacionado com a guerra entre duas facções
(uma de São Paulo e outra local) que disputam o comércio do tráfico de drogas na região. Segundo o diretor, a disputa maior ocorre na Capital. Como medida de
enfrentamento ao avanço do crime, ele destaca o incremento de policiais na Delegacia de Homicídios da Capital.
Já nas outras cidades da
Grande Florianópolis, o diretor avalia que os departamentos dentro das Divisões de Investigação Criminal já comportam as necessidades dos
municípios. Por enquanto, não há previsão para criação de novas delegacias de homicídio na região.
— Nós aumentamos a resolução dos homicídios em mais de 70%. A delegacia da Capital também recebeu incremento de policiais no início do ano
— destacou o diretor como medida tomada para enfrentar o avanço no crime.
Na avaliação da delegada da Divisão de
Investigação Criminal de Palhoça, Raquel de Souza Freire, o município que ocupa a segunda posição no ranking da Grande Florianópolis passou
por um período de estabilidade neste ano. Ela acredita que as últimas mortes tenham relação com outras mortes que ocorreram anteriormente.
— Foram vários casos no feriado. As mortes normalmente têm ligação com outros crimes, tráfico ou o próprio roubo. A partir da
características de cada um dos homicídios é que poderemos fazer uma avaliação melhor — concluiu.
As mortes do
fim de semana
As primeiras mortes ocorreram na tarde da última sexta-feira (13), em Palhoça. Dois rapazes que participaram de um
assalto a uma loja de materiais de construção (um adolescente de 17 anos e um jovem de 22) morreram em confronto com a Polícia Militar. O cerco feito pelo
Batalhão de Operações Especiais ocorreu na BR-101. O jovem foi identificado como Jorge Otaviano de Souza.
Ainda na sexta, Leandro Francisco da
Silva foi executado no final da Rua Rosa, no bairro Pantanal, em Florianópolis. Segundo o que testemunhas relataram à polícia, ele havia sido perseguido por homens em
um carro e uma moto. A vítima foi morta com pelo menos quatro tiros.
Na madrugada de sábado (14), um homem foi encontrado morto na Rua Delfim
Ribeiro, no bairro Brejarú, em Palhoça. Robson Cristiano Rodrigues Coito foi morto a tiros. Segundo a polícia, ele já tinha passado pelo sistema
prisional.
Na tarde de sábado, também em Palhoça, outro homem foi assassinado. Segundo a polícia, dois homens em uma moto fizeram
disparos contra o passageiro de um veículo na Rua Nereu Guizone, no bairro Guarda do Cubatão. A vítima, que teria passagens pela polícia, foi identificada como
Alessandro Hendler.
Na noite de sábado, Jonatan Henrique Gonçalves de Aiedo foi morto a pedradas em Florianópolis. O assassinato foi
registrado por volta das 19h30min na rua Madre Maria Vilac. A polícia suspeita que a morte tenha ocorrido em função de uma briga.