Era final da tarde de domingo (8) e a RS-474 estava movimentada com o
vai e vem de carros entre Serra, Vale do Sinos e Litoral Norte. Um comerciante de 41 anos de Osório voltava de uma viagem à serra gaúcha quando deparou com a
imprudência: à sua frente, no sentido Taquara-Santo Antônio da Patrulha da rodovia, ocupantes de dois carros andavam sentados nas janelas, com os corpos para
fora.
Com os três filhos, de quatro, sete e 10 anos, e a mulher no carro, o empresário pediu à companheira que gravasse a cena, que transcorreu
por cerca de 15 quilômetros, acabando próximo ao pedágio de Santo Antônio da Patrulha. No vídeo, é possível ver o passageiro de um Fiesta
prata sentado à janela. Conforme o morador de Osório, havia um Picanto preto à frente repetindo a irregularidade.
— No carro da frente vi
que estavam bebendo cerveja, podiam perder o controle da direção, capotar e até bater em outros carros. Estavam colocando a vida deles e a nossa em risco — contou
ele. — Totalmente irresponsáveis — acrescentou.
De acordo com o comandante do pelotão de Taquara do Comando Rodoviário da Brigada
Militar (CRBM), sargento Clebio Severo de Lima, os condutores poderiam ser multados por pelo menos duas infrações: não uso do cinto de segurança, considerada
multa grave, que custaria R$ 195,23 e mais cinco pontos na carteira de motorista, e transportar pessoas na parte externa do veículo, também infração grave com
perda de mais cinco pontos e pagamento de R$ 195,23.
Além disso, caso fosse comprovado que os condutores estavam alcoolizados, poderiam ter de pagar
até R$ 2.934,70 de multa, perder o direito de dirigir e até serem presos dependendo da quantidade de álcool no sangue ou das provas testemunhais. Dessa forma, o total
em multa seria de R$ 3.325,16 para cada motorista.
— O valor das multas é insignificante perto do resultado que poderiam ter — avaliou o
chefe de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal, Rodrigo Rodrigues.
No entanto, conforme Lima, a polícia só pode aplicar as
penalidades se os próprios agentes flagrarem as irregularidades. Fotos, vídeos e relatos testemunhais, acrescenta o comandante, só podem ser usados como prova em caso
de acidentes.
Na iminência de mais um feriadão em que o movimento nas estradas vai se multiplicar e muitas pessoas irão aproveitar para
confraternizar, o sargento alerta que esse tipo de imprudência pode ser fatal:
— Um caminhão pode passar e o corpo pode ser cortado fora, sem contar
que se o condutor perder o controle do veículo por distração ou numa curva, eles podem morrer e ainda colocar outras vidas em risco. É uma imprudência
total — adverte Lima.
Por fim, o comandante acrescenta que a responsabilidade de coibir esse tipo de atitude é do motorista, que deve impedir os
ocupantes de se projetarem pra fora e até parar o carro caso prossigam, pois é ele quem vai sofrer as punições em caso de flagrante.