Uma morte, casas destelhadas, postes caídos e árvores sobre rodovias. Esses são alguns dos estragos causados pelo temporal que atingiu parte do Rio
Grande do Sul, com rajadas de vento entre 100 km/h e 120 km/h, entre a tarde e o início da noite deste domingo (1º).
O caso mais grave foi
registrado RS-155, entre Ijuí e Santo Augusto, no Noroeste, no período da tarde. Albino de Jesus, 65 anos, foi atingido por uma árvore que caiu sobre o para-brisa do
Siena que dirigia. A vítima, que morava em Ijuí, não resistiu aos ferimentos e morreu no local do acidente. De acordo com balanço da Defesa Civil, divulgado as
20h30min deste domingo (1º), o temporal destruiu total ou parcialmente o telhado de ao menos 729 casas em 14 municípios do Estado. Na noite de domingo, pelo menos 640 mil
imóveis estavam sem luz no Rio Grande do Sul.
Em Porto Alegre, a chuva forte durou cerca de uma hora, mas sua intensidade e a ventania foram o suficiente para
causar prejuízos, principalmente na região central da cidade. Conforme dados do Centro Integrado de Comando (Ceic), choveu 30,6mm no bairro Tristeza, 26,8mm no Centro e 24,9mm
no bairro Sarandi. A média histórica do volume de chuva em Porto Alegre para todo o mês de outubro é de 114,3mm. Até 20h30min, a prefeitura registrava 32
ocorrências com árvores e nove de postes bloqueando vias.
A estrutura do Circo da Rússia, no bairro Praia de Belas, desabou com a força
do vento. No momento, cerca de 70 pessoas assistiam ao espetáculo. Segundo a Polícia Civil, não havia registro de feridos em razão da queda da cobertura. Chapas
de metal retorcido, lona no chão, pedaços da estrutura elétrica espalhados pelo terreno e funcionários abalados com o susto marcavam o cenário de
destruição. Um dos proprietários do circo passou mal e foi encaminhado a um hospital.
Thamiell Ferrare, 29 anos, gerente-geral do circo, disse que
a estrutura metálica que dá sustentação à cobertura caiu aos poucos, o que permitiu a saída das pessoas antes do desabamento total:
– Foi questão de dois, três segundos e a estrutura começou a cair. Foi tudo muito rápido. Quando começou a balançar, pedimos para o
pessoal sair. Graças a Deus ninguém se feriu gravemente.
O Ginásio da Brigada Militar (BM), no cruzamento da Avenida Ipiranga com a Rua Silva
Só, teve metade seu telhado arrancado. No centro da quadra de futebol de salão do complexo, pedaços de madeira, telhas e tijolos ficaram espalhados. No momento do
incidente, estava no local apenas o sargento Eder Escobar, 49 anos, que não se feriu.
O sargento disse que começou a ouvir barulhos nas paredes e no teto do
ginásio, por volta de 19h, e foi até a quadra para verificar a situação, pois uma primeira rajada de vento havia levantado algumas telhas. Foi então que
parte da cobertura foi ao chão:
– Veio uma rajada bem mais forte que levantou uma parte do telhado. Ele levantou e depois foi abaixo todo –
descreveu.
Como primeira reação, o sargento desligou a energia do local para evitar incidentes com fios de alta tensão. A BM aguardava a chegada da
EPTC para fazer o isolamento de trechos das vias no entorno.
– No lado da Silva Só, porque ficou uma parede alta sem sustentação. Também
tem que isolar um pedaço da Ipiranga, pois um novo vento pode fazer a parede cair – alertou o policial militar.
Rodovias bloqueadas e eventos
interrompidos
Ao longo da Ipiranga, no sentido centro-bairro, era possível ver o rastro de destruição do temporal. Pedaços de
árvores na pista, sinaleiras desligadas, partes de placas de publicidade na via mudavam o cenário da avenida. Perto do cruzamento com a Rua Vicente da Fontoura, um outdoor de
uma revenda de veículos caiu sobre uma casa, que estava vazia. O dono da moradia, o aposentado Mario Souza, 64 anos, que vive com a mulher e um neto no imóvel, estava em
Canoas.
– Ainda bem que não tinha ninguém dentro da casa quando a placa desabou. Caiu bem no local onde costumo deixar meu carro – disse o
aposentado.
A tempestade também interrompeu o Concerto de Primavera da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), que era executado no anfiteatro do Jardim
Botânico. Parte do palco e uma tenda cederam. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, ninguém se feriu.
Em São Luiz Gonzaga, a Expo São
Luiz, feira que realizaria seu último dia no domingo, foi interrompida, conforme o Corpo de Bombeiros. Moradores de Cruz Alta registraram imagens de pavilhões
destruídos na FenaTrigo, devido aos ventos fortes do temporal. As lonas vieram abaixo. A feira também precisou ser fechada. Em Panambi, os bombeiros distribuíram lonas
por conta dos destelhamentos.
A chuva também causou transtornos em rodovias. Por volta das 23h de domingo (1º), pontos da BR-290, em Pântano
Grande, estavam com bloqueios parciais na pista por causa da queda de árvores.