A situação da estiagem se agrava em Santa Catarina, onde três municípios já decretaram situação de emergência: Ouro,
Fraiburgo e Irani. Em Fraiburgo o nível do rios está metade do normal e a falta de chuva já causa prejuízo na agricultura.
— A
maçã está na florada e deve ter uma quebra de 30%, no trigo pode chegar a 60% — disse o coordenador municipal da Defesa Civil, Hélio de
Bairros.
Nos últimos 90 dias choveu 112 milímetros, quando o normal seria 450 milímetros. A última chuva significativa foi em 20
de agosto. Em Ouro há perda na produção de leite pois as pastagens secaram e o plantio do milho está atrasando. Em Irani a prefeitura está puxando
água para propriedades do Interior. Essa aliás é a realidade da maioria dos municípios.
— Na minha região tem 20
municípios e mais da metade estão levando água para famílias do interior, em alguma até para o consumo humano – afirmou o coordenador regional da
Defesa Civil em Xanxerê, Luciano Peri.
Ele citou também que há empresas em São Lourenço do Oeste e Vargeão buscando
água de caminhão-pipa. Em Faxinal dos Guedes a comunidade de Barra Grande também está recebendo água de caminhão-pipa. Em Xanxerê, uma
cisterna construída para enfrentar a seca. Em Concórdia, já no Alto Uruguai Catarinense, a Prefeitura já puxou 56 cargas de água segundo o
secretário de Agricultura, Mauro Martini. Nesta quarta-feira a agricultora Lúcia Soares e o filho Roberto Soares, que mora numa casa ao lado, receberam 12 mil litros de
água. O poço da propriedade, na Linha dos Grandos, secou e ela necessitou do auxílio do poder público.
— Essa água deve durar
uns 15 dias — calculou.
O superintendente regional de negócios da Casan, Écio Bordignon, disse que apesar do transporte de água para o
interior, nenhuma cidade está racionando ou com manobra de registros. Em cidades que estavam em situação preocupante, como Vargeão, o nível do rio
está baixo, mas tem se mantido na última semana. Bordignon disse que a empresa já tomou algumas medidas para combater a estiagem nos últimos anos, com a
perfuração de mais poços e novas redes de captação.
— Em cidades menores que tinha dois ou três poços
nós perfuramos mais um ou dois, o que evitou que houvesse racionamento já no início da estiagem – afirmou.
Ele destacou que, caso ocorra
falta de água nas cidades, a primeira medida é contratar caminhões para o transporte de água. Mas avalia que não há risco imediato, pois há
previsão de chuva nos próximos dias.
A diretora de prevenção da Defesa Civil do Estado, Caroline Margarida, diz que não foi
necessária a atuação do Estado.
— Estamos monitorando a situação nas regiões mas a primeira resposta
sempre é dada pelos municípios, que por enquanto têm absorvido a demanda. O evento estiagem geralmente tem impacto maior nas lavouras e, para a Defesa Civil, o desastre
tem que afetar o abastecimento humano para ser considerada uma situação de emergência – explicou.
Os decretos de emergência ainda
não chegaram na Defesa Civil. O que houve até agora foi o registro de estiagem no sistema de informações de desastres do órgão, das cidades de
Ouro, Urupema, Irineópolis, Itaiópolis, Nova Veneza, Taió e São José do Cedro.
Há registro de que os açudes secaram e
Ipira, poços secando em Canoinhas, problemas em Curitibanos, Monte Carlo e também o baixo nível dos rios também na Grande Florianópolis, como no caso do
Tijucas e Cubatão. A Casan já emitiu alerta para que a população economize água.
A boa notícia é que há
previsão de chuva nos próximos dias. A nebulosidade chega no estado nesta quinta-feira podendo ocorrer chuva fraca em algumas regiões. Na sexta-feira e no sábado
há previsão de chuva mais representativa. Isso não deve resolver mas pode amenizar a estiagem.