A tentativa de assalto a um carro-forte terminou em tiroteio entre policiais e criminosos na manhã desta
sexta-feira, na ERS-400, no limite entre Candelária e Passa Sete, no Vale do Rio Pardo. Três assaltantes morreram no confronto, e um quarto bandido fugiu, mas foi encontrado
pela polícia baleado em uma casa próxima ao local da troca de tiros.
A Delegacia Especializada de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) de
Santa Cruz do Sul e a Delegacia de Roubos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), já estavam monitorando a quadrilha — considerada altamente
profissional — havia mais de um mês. A polícia tinha informações de que eles poderiam atacar a qualquer momento.
O carro forte subia a
ERS-400, de Candelária em direção a Passa Sete, quando um caminhão dos assaltantes que trafegava no sentido contrário tentou prensá-lo contra um
barranco. A motorista do carro-forte conseguiu se desvencilhar e fugir. O caminhão colidiu contra o barranco. Um Cruze, também dos bandidos, vinha atrás, carregado de
explosivos. Uma das equipes da polícia estava no local — neste momento, começou o tiroteio. Nenhum policial ficou ferido.
Entre os mortos,
está Carlos Ivan Fischer, o Teco, conhecido pela polícia por ataques a carro-forte e uso de explosivos. O bandido fazia parte da quadrilha do Seco (um dos mais perigosos
assaltantes de carros-fortes do Estado) e estava em liberdade condicional, acusado de roubo.
— O Teco é nosso conhecido antigo, mas de tão meticuloso
e astuto, raras vezes foi pego — disse o chefe de investigação do Deic, Rafael Scott Marinho.
Três fuzis e uma pistola foram apreendidos. A
perícia é aguardada.
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Entre os bandidos, Carlos Ivan Fischer, 46 anos, o Teco, era conhecido como
um "intelectual", um homem com uma capacidade de desenvolver tecnologias para serem usadas no crime. Ele é apontado como a pessoa que ensinou a arte de usar explosivos para
abrir cofres a José Carlos dos Santos, 34 anos, o Seco, atualmente cumprindo pena no Presídio de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).
Teco era um
dos esteios do bando de Seco, uma quadrilha que inovou o modo de roubar carro-forte no Brasil. O Seco, um homem de classe média rural de Candelária que virou criminoso na
primeira década de 2000, soube somar o conhecimento sobre explosivos do Teco com a audácia do assaltante Charles Robsen Ferreira Kaiser, o João Loucura, que morreu em
2002. O João Loucura ensinou para o bando o uso de caminhões para abalroar o carro-forte.
O grupo de Seco operou quase uma década roubando nas
estradas gaúchas. Ele chegou a ser considerado o inimigo público número um no Rio Grande do Sul. Na época, o atual chefe de polícia, o delegado Guilherme
Wondraceck, perseguia o bando.
Depois de prisão do Seco, ex-integrantes da quadrilha ficaram tentando se rearticular. No ano passado, na BR-116, na
localidade de Ninho das Águias, em Nova Petrópolis, quadrilheiros roubaram um caminhão e tentaram parar dois carros-fortes. A façanha tem a assinatura do bando
do Seco. E, na ocasião, o delegado Joel Wagner, atual titular da Delegacia de Roubos, que é vinculada ao Deic, teve informações de que Teco estaria
envolvido.
O fato é que desde daquela tentativa de roubo na BR-116, o delegado Wagner colocou o Teco no radar da Roubos. Aliás, nunca esteve fora. O
próximo passo dos agentes da Roubos é descobrir para quem o Teco passou o seu conhecimento antes de ser morto no confronto de hoje.