Quando a porta do desembarque abriu às 21h23min desta segunda-feira (28) no
Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis acabava o drama da modelo gaúcha Amanda Griza, 19 anos, presa na China durante 17 dias.
A jovem que quase foi queimada com cigarro na cadeia chinesa soluçava ao abraçar os pais. A primeira palavra que conseguiu falar foi
"mãe".
Rodeada pela família e pela imprensa nacional, Amanda contou sobre os "piores dias" de sua
vida. De tênis, calça de couro e moletom e sem maquiagem, a garota que começou a carreira aos 11 anos falou que viu outras modelos apanharem na prisão.
Todos os dias ela chorava imaginando como sua família estava sofrendo sem poder dar um telefonema. Depois de ser "jogada"
numa cela com outras nove modelos presas num casting falso armado pela polícia em Pequim, sofreu ameaças, foi intimidada, humilhada. Nem com a Embaixada do Brasil na China
deixaram ela falar.
Na prisão, ninguém falava inglês, as meninas eram obrigadas a limpar a cela, comiam três
vezes ao dia arroz e legumes basicamente, acordavam às 6h30min, só podiam tomar banho uma vez por dia.
— A cada dia
foi um desespero. E uma lição que vou levar para o resto da vida. Tive muito tempo para pensar e perceber como às vezes reclamamos de boca cheia. Penso muito diferente
agora e tenho certeza que a família é o mais importante para mim — disse Amanda.
Conforme a mãe, Elena Griza, a
prisão ocorreu porque as modelos não estariam com o visto de trabalho, embora Amanda tenha viajado com visto de negócios e em momento algum omitiu que estava indo
à trabalho.
Os pais vão conversar com a filha e não descartam entrar com uma ação contra o agente
internacional que organizou a viagem. Sobre a carreira, Amanda disse que ama modelar, mas precisa de um tempo para pensar.
— Foram
dois meses e meio de trabalho maravilhosos. Fiz amigos para o resto da vida e não me arrependo de nada. E depois vivi esse pesadelo. Todo dia era um desespero — contou a
modelo.
Para as meninas que estão começando na carreira e querem trabalhar fora, Amanda dá umas dicas.
— Não vá para um país comunista, estude bem as leis e siga seu sonho — , disse a menina de olhos azuis,
antes de seguir para sua casa, em Balneário Camboríu, onde seu prato favorito a esperava: arroz com feijão.
Antes
da viagem ao Brasil, no domingo, Amanda disse em entrevista ao Diário Catarinense que não sabia que havia problemas com o visto para entrar na China:
— Quando fui tirar meu visto no Brasil, disse que iria para China trabalhar como modelo, inclusive, entreguei um composite (espécie de
cartão de visita usado por modelos) e tudo. Então, não sabia que teria problema.