Sentado numa arquibancada em frente à pista de remates, Daniel Guizzardi, 36 anos, observa a entrada de 20
terneiros da raça angus com peso médio acima de 200 quilos. Enquanto os animais se movimentam na mangueira e o leiloeiro começa a instigar o público a fazer
lances, o comprador observa o comprimento dos animais, formato do corpo, tamanho da cabeça e o aspecto visual de cada um.
– No olho já dá
para ver a qualidade, conforme a raça e as características do animal – diz Guizzardi.
Quando outros dois lotes com 48 animais da mesma raça
entram em pista, Guizzardi faz nova avaliação minuciosa Ao conferir a uniformidade dos terneiros e fazer algumas anotações, não pensa duas vezes: arremata
68 unidades ao preço médio de R$ 1,26 mil cada. Tornou-se, assim, o maior comprador da 12ª Feira de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas, realizada pela
Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), em Esteio, no último dia 15, quando foram vendidos 834 animais. No total, a Fazenda Gabardo Agroturismo, com
sede em Montenegro, investiu R$ 158 mil na compra de 138 terneiros ofertados no remate.
Os animais que foram escolhidos por Guizzardi têm idade média de
oito meses, peso entre 200 e 220 quilos e irão se juntar ao rebanho da fazenda com quase 3 mil terneiros e reprodutores criados em sistema de semiconfinamento. Quando chegarem a 24
meses, e peso médio entre 450 quilos a 500 quilos, serão vendidos para indústrias frigoríficas.
– Nessa hora, a qualidade fará a
diferença. Ganhamos um prêmio em relação ao preço de mercado com os carcaças padronizadas – explica o comprador.
Guizzardi representa um perfil cada vez mais visível entre compradores de feiras de terneiros e reprodutores no Rio Grande do Sul, asseguram os leiloeiros.
– O comprador está mais seletivo, busca um retorno mais rápido – avalia Alexandre Crespo, responsável pelo remate de Esteio.
A
seleção mais rigorosa é ditada pela necessidade dos criadores de alcançar maior eficiência, tanto pelo encurtamento do ciclo de engorda em razão do
avanço das lavouras de grãos quanto pela exigência do mercado consumidor por carne de qualidade.
– O crescimento dos programas de
certificação é um exemplo desse mercado cada vez mais sedento por produtos padronizadas, com marmoreio (índice de gordura intramuscular), sabor e maciez –
afirma Crespo.
O comportamento fez com que o critério peso perdesse força.
– A ideia antiga era muito baseada no peso
médio por lote. Hoje, a prioridade é a padronização das carcaças, com genética e qualidade que elevem o potencial do animal – ressalta o
veterinário Fernando Furtado Velloso, da assessoria agropecuária FF Velloso & Dimas Rocha.